FORÇA

Quando se usa o conceito de força, precisamos distinguí-la como grandeza física e como capacidade de executar movimento esportivos, por exemplo. Como grandeza física, segundo a lei de Newton, ela é produto da massa pela aceleração F = m . a .

Se este conceito de força se referir ao movimento esportivo, pode-se distinguir a força INTERNA, produzida pelos músculos, ligamentos e tendões, e a força EXTERNA, que age externamente ao corpo humano, por exemplo: a gravidade, o atrito, a resistência do ar, a oposição exercida por um adversário, ou um peso que se queira levantar.

De maneira geral, força é "a característica humana com a qual se move uma massa (seu próprio corpo, ou um implemento esportivo), sua habilidade em dominar ou reagir a um a resistência pela ação muscular" (Meusel, 1969). Na teoria do treinamento, a força é entendida como um pressuposto para o rendimento, que permite se opor a uma resistência. Essa capacidade de exercer tensão contra uma resistência não é equiparável ao conceito da física, por isso, em treinamento físico, usa-se o termo capacidade de força. (Harre & Hauptmann, 1983).

A terminologia esportiva diferencia principalmente a capacidade de força máxima, a capacidade de força rápida e a capacidade de resistência de força.

CAPACIDADE DE FORÇA MÁXIMA

Define-se como máxima a força que pode ser desenvolvida por uma máxima contração muscular. Segundo as condições desta contração máxima, distinguimos uma capacidade máxima de força estática e uma de força dinâmica. Na força estática existe um equilíbrio entre as forças internas e externas, enquanto na dinâmica prevalece a força interna (quando vence a resistência ao movimento e o trabalho é positivo) ou a força externa (quando se é vencido pela resistência e o trabalho é negativo).

CAPACIDADE DE FORÇA RÁPIDA

É a capacidade de superar uma resistência externa ao movimento com elevada rapidez de contração.

A rapidez do movimento depende da capacidade máxima de força e do tamanho da resistência (força externa) que se quer vencer.

A força rápida é maior quanto menor é a resistência a ser vencida e vai diminuindo à medida que esta aumenta. portanto, é necessário conhecer o percentual de força máxima e rápida exigida na execução motora da atividade física ou do exercício.

Por isso, o desenvolvimento da força rápida será sempre no âmbito da exigência específica do exercício ou da atividade física (Zaciorky, 1972). Segundo Nett (1967), a força rápida externa-se concreta e especificamente em cada modalidade e, por isso, é "tão diferenciada quanto são diferenciados os pesos dos implementos competitivos e os diferentes decursos de movimentos (técnica)".

Conseqüentemente, não podem ou dificilmente são dadas normas de entrada de ação da força e o tempo de decurso da força na potência. Do ponto de vista anatômico-fisiológico-psicológico, a força rápida específica de cada modalidade depende principalmente dos seguintes fatores (Hollmann & Hettinger, (1976):

 

CAPACIDADE DE RESISTÊNCIA DE FORÇA

É a capacidade de se opor à fadiga no emprego repetido da força, isto é, realizar um esforço relativamente prolongado com emprego de força.

Sua característica é uma combinação do emprego da força e da resistência. Nos movimentos cíclicos, a força empregada em um ciclo de movimento depende da distância ou da duração do movimento. As distâncias breves solicitam exigência mais elevadas do que as longas nesta modalidade de força.

Na resistência de força é particularmente importante a maneira como é produzida e transformada a energia. A resistência de força pode ter um metabolismo aeróbio e anaeróbio.

Resistência de força aeróbia é capacidade dos músculos de contraírem continuadamente na presença de suficiente provisão de oxigênio. Ex.: corridas de longa distância.

Resistência de força anaeróbia é capacidade dos músculos de resistirem à fadiga na ausência de uma adequada provisão de oxigênio. Ex.: corridas de 400 e 800 m.

CLASSIFICAÇÕES DE FORÇA

A força quanto à natureza pode ser classificada em três tipos principais (Rocha e col., 1978):

FORÇA ÚTIL - estado de força normalmente presente em todos os indivíduos e encontrada em todas as atividades cotidianas.

FORÇA LATENTE - é a força que poderá ser trabalhada, desenvolvida. É a força em potencial.

FORÇA PURA - é a força máxima que somente é desenvolvida por um trabalho com cargas muito elevadas (tradicionalmente utilizadas pelos halterofilistas).

A força quanto ao movimento segundo Barbanti, 1979), divide-se em: ESTÁTICA e a DINÂMICA.

FORÇA DINÂMICA - é quando existe uma alteração no comprimento das fibras musculares, provocando uma aproximação ou afastamento dos segmentos ou inserções musculares próximas, portanto há movimento. Este tipo de trabalho muscular é chamado de isotônico (iso = igual e métrico = medida).

FORÇA ESTÁTICA - é aquela em que não existe alteração no comprimento das fibras musculares, portanto não há movimento. Há, porém, um aumento do tônus muscular, provocando aumento da tensão muscular. Este trabalho denomina-se isométrico (iso = igual e métrico = medida).

A força dinâmica pode ser POSITIVA ou NEGATIVA.

FORÇA DINÂMICA POSITIVA

FORÇA DINÂMICA NEGATIVA

CARACTERÍSTICAS FISIOLÓGICAS

A capacidade motora força está em relação direta com:

Hettinger & Steinback (apud BARBANTI, 1979), montaram as chamadas "Zonas de Rendimento", para evidenciar a dependência da força motora de fatores psíquicos. Segundo eles o ser humano tem à sua disposição cerca de 75% da capacidade de rendimento. A isso denomina-se de "Limiar de Mobilização". Os 25% restantes só podem ser mobilizados mediante solicitações psíquicas fortíssimas como o medo, a morte, ameaças, raiva, doping, etc.

Atualmente são realizados estudos eletromiográficos que permitem efetuar outras alterações fisiológicas que ocorrem com os músculos estriados em movimento.

TREINAMENTO DE FORÇA EM RELAÇÃO À IDADE E AO SEXO

Pode-se estabelecer, então, que o treinamento da força motora depende da maturação sexual e não da idade, embora esta possa ser considerada como um relógio biológico para alguns estudiosos, sendo a puberdade a época ideal para se aumentar a força e o período posterior a esta para se intensificar o treinamento da mesma.

Outra afirmação dos fisiologistas é a de que os jovens, antes de entrar na puberdade, não estão em condições adequadas para realizarem trabalhos musculares estáticos. Por isso, quando da escolha dos exercícios ou atividades, deve-se evitar aqueles trabalhos que contenham contrações de predominância estática.

Os exercícios estáticos para a criança provocam um cansaço precoce exacerbado, levando a um cansaço geral, que prejudica a aprendizagem sensório-motriz, que deve ser priorizada neste período.

Devem ser oportunizados trabalhos de força de acordo com as características de cada idade: trepar, saltar, lançar, empurrar, e todas as outras formas de atividades físicas dinâmicas são mais indicadas.

Entre os 12 e os 15 anos de idade, o desenvolvimento da força deve ser priorizado no sentido transversal do corpo. sem dúvida, deve-se programar exercícios de todos os tipos: jogos diversos, utilizando cordas individuais, medicinebol, espaldares, cabos de guerra, sacos de areia, etc., porém sempre deve ser pensado num trabalho de fortalecimento geral. paralelamente a esse desenvolvimento, deve haver um trabalho de alongamento e mobilidade articular (flexibilidade).

O treino com halteres poderia ser iniciado no final da adolescência, por volta dos 15 anos de idade, com exercícios para fortalecer os grandes grupos musculares (tronco, peitorais, abdome, dorsais, glúteos, etc.). Só depois inicia-se o trabalho da musculatura dos membros.

ALGUMAS RECOMENDAÇÕES PARA INICIAR UM TRABALHO COM PESOS