TREINAMENTO DESPORTIVO

Teoria geral do desporto

 

desportos coletivos desportos individuais

As necessidades do atleta de desporto individual devem ser máximas, as dos de coletivo podem ser ótimas. As capacidades físicas são mais evidenciadas nos esportes individuais, pois estão sempre trabalhando em níveis máximos.

A especificidade de um treino deve visar a situação real da competição. Ex.:

Atlanta 96 ó valores médios dos jogadores de handball:

4260 m de corrida, sendo 1200 m em tiros de 15 25 m e 1650 em ritmo lento, (o restante foi executado em movimentos irregulares).

16 saltos por partida.

Com base nesse tipo de levantamento monta-se um modelo de treinamento.

Existe um desvio padrão de 5% entre a performance de atletas em uma olimpíada e em um campeonato mundial.

Para a aplicação da fisiologia no esporte, é preciso que o fisiologista entenda o esporte para poder usar os indicadores fisiológicos dentro da especificidade do esporte. Ele poderia por exemplo, medir em um jogador de futebol todas as variáveis que se alteram com o decorrer do jogo, como a potência do chute antes do jogo, ao 10 minuto, 20, 45, para com base nestas deficiências alterar as capacidades do atleta.

Indicadores funcionais: melhorias metabólicas gerais

Indicadores morfológicos: capacidades musculares

Quando aumenta-se o volume do treino, melhoram-se os indicadores funcionais e a performance cai porque aumentam-se os níveis de cansaço e depleção.

Com a proximidade da competição, diminui-se o volume de treino e a performance aumenta porque aumentam-se os tempos de descanso entre treinos. No período de preparação sobe o volume e a intensidade desce, com a proximidade da competição as curvas se invertem, cai volume, sobe intensidade. Isso é válido na iniciação desportiva, onde deve-se proporcionar uma grande variedade de atividades.

Para o atleta de um esporte como o basquete, de nada adianta um grande volume de treino aeróbio, se ele não vai usar esse tipo de capacidade durante o jogo. No período de preparação especial usa-se o movimento específico do esporte com sobrecargas.

A especificidade é que dá a capacidade de uma pessoa ter um bom desempenho em certo esporte. As adaptações morfo-metabólicas de um ciclista são parecidas com as de um esquiador, no entanto um não esquia bem e o outro não pedala bem, devido à especificidade.

Podemos dividir os tipos de força em três formas básicas: resistência, máxima e de velocidade. Um jogador de basquete, por exemplo, precisa empregar os três tipos durante um jogo, mas numa temporada de treino não podemos dividir esses três tipos em treinos intercalados, porque a capacidade de força que não está sendo trabalhada é perdida.

Ex.: uma sessão de treino de força máxima melhora a comunicação neuromuscular, aumentando o recrutamento de fibras. Logo em seguida pode vir um treino de velocidade com resistência. Se um atleta entra em destreino, não se deve recomeçar o treino com um trabalho de base, mas sim continuar com o treino específico.

Divisão do esporte em grupos para a aplicação de uma metodologia:

Grupo 1: GRD, nado sincronizado (coordenação)

Grupo 2: salto em altura, natação (velocidade)

Grupo 3: tiro ao alvo (alvo)

Grupo 4: hipismo, automobilismo (condução e direção)

Grupo 5: corrida, remo, natação, ciclismo (cíclico de resistência)

Grupo 6: desportes coletivos

Grupo 7: combate (lutas)

Grupo 8: provas combinadas (triathlon, duathlon, biathlon)

Métodos de treinamento:

- verbal;

- demonstrativo;

- de influência prática, subdividido em:

Contínuos: exemplo, nadar 40 com freqüência 140-160, é uma estrutura contínua permanente. Se o treino for assim constante, não ocorre evolução. Contínuo crescente: continua com a mesma carga (40) mas uma variável, como a fc, vai subindo. Isso promove uma depleção metabólica diferenciada. Contínuo decrescente: inicia em grande intensidade e diminui-se a intensidade a cada intervalo de tempo pré-determinado. A arrancada libera grande quantidade de "produtos" musculares, e durante o exercício o organismo consegue fazer a remoção e recuperação. Contínuo crescente decrescente: inicia lento, fica intenso e termina lento. Contínuo crescente decrescente crescente, exemplo, triathlon => começa com ciclismo crescente, pega a natação decrescente e vai pra corrida crescente.

"O treino em altitude melhora o VO2, mas o que interessa num esporte de resistência é o consumo máximo de O2, que só aumenta com treino de alta velocidade, que por sua vez não pode ser feito em altitude por falta de condição."

Popov: 10 X 100m com velocidade crescente dos primeiros metros pros últimos. Após cada tiro havia uma pausa (15") onde se usava um hipoxtraining, que simula uma situação de hipóxia em altitude. Após cada tiro a "altitude" do aparelho era aumentada. Esse tipo de treino é feito até ele conseguir manter o tiro com 75% de sua velocidade máxima, depois disso não interessa.

Num treino de alto nível não interessa trabalhar em intensidades mais baixas do que 10% abaixo do nível de competição. A recuperação após a atividade deve ser feita com uma atividade de mesma natureza, para recuperar-se após uma corrida intensa, o melhor é uma corrida leve. Se for com outro tipo de atividade, cansa-se outro grupo muscular e a remoção de lactato não é tão eficiente.

Comparação entre 3 grupos, um fez a recuperação com hidromassagem quente, outro com atividade leve e o terceiro com descanso.

Na água quente o calor aumenta o fluxo de O2.

Um tipo de método intervalado pode ser feito com carga constante, mas com menos recuperação, exemplo:

50 m è 2 50 m è 130" 50 m è 1

ou mais forte ainda:

50 m è 2 100 m è 130" 150 m è 1

Métodos mistos:

Intervalado e contínuo permanente

Intervalado e contínuo crescente

Intervalado e contínuo decrescente

Intervalado e variativo crescente

Intervalado e variativo decrescente

 

Controle da velocidade de deslocamento:

Em esportes como remo, natação, ciclismo, corrida, pode-se usar a velocidade média de deslocamento como indicador de carga, mas precisamos saber o histórico dessa velocidade média, ou seja, como ocorrem as variações dentro da média.

Para a obtenção do histórico é preciso dividir em vários pontos de mensuração, obtendo assim as velocidades que foram desenvolvidas do início ao fim da prova, buscando então os pontos de queda e subida no nível da intensidade do exercício, os pontos de fraqueza do atleta.

Se um atleta de maratona tem dificuldades após o 20 Km, pode-se fazer um trabalho de força especial da seguinte maneira: ele corre 20Km e em seguida faz um trabalho (de força especial) com carga. Sempre trabalhando dentro dos parâmetros semelhantes aos utilizados na competição.

Controle da capacidade reativa do músculo: é utilizado em esportes que precisam de movimentos rápidos como vôlei, levantamento de peso, arremessos.

Em um teste de impulsão vertical, se o atleta partir de um banco mais alto que o solo, o componente elástico que lhe dá impulsão é maior, mas o resultado aumenta até certo ponto, depois começa a diminuir.

 

 

Aspectos que determinam a carga:

A carga precisa ter um momento de estímulo e um de recuperação. Durante o treino pode-se montar um esquema que faça o atleta trabalhar em déficit dentro de um ciclo semanal, mas ao se aproximar da competição deve-se diminuir o volume, aumentando a compensação.

O volume tem três componentes: a magnitude, a intensidade e a duração da carga.

Em um período de treinamento que envolva diversos tipos de carga, os valores bioquímicos não são recuperados ao longo de 3 semanas, mas os valores de performance mantém-se por um tempo. Depois de um período de depleção como esse, se houver um descanso, ocorre melhora na performance, principalmente em esportes de velocidade.

Prova : 200 m peito

Índices

1989

1990

1991

1992

Volume (Km)

1050

1860

2010

220

Trabalho seco

110

135

140

250

Competições

30

45

70

75

Resultado

239"51

230"53

227"08

225"62

 

Microciclo:

Preparatórios gerais: mais usados em crianças

Preparatórios especiais: para alguém que já tenha experiência

  1. microciclo ordinário (60% 80%)
  2. microciclo de choque (80% - 100%)

Em uma certa época começou a surgir um senso comum em se fazer atletas cada vez de nível mais alto em idades menores, mas os recordes mundiais, na sua média, continuavam a pertencer às pessoas mais velhas. Aparece a idéia do ciclo olímpico, ou seja, iniciar um trabalho aos 16 anos para chegar-se à próxima olimpíada com 20 anos no ponto certo de competir.

Poderíamos dividir os ciclos de treino grosseiramente em:

sessão / unidade / microciclo / mesociclo / macrociclo / ciclo semi-olímpico (2 anos de duração) / ciclo olímpico (4 anos)

Todos os ciclos devem proporcionar estímulo e recuperação. Em esportes que apresentem competições em final de semana, é interessante colocar a alta intensidade do treino no domingo por exemplo.

Dividindo-se o treino em 3 ou 4 sessões diárias consegue-se um estado de treino maior para velocistas, porque ocorre uma compensação entre treinos que recupera o metabolismo, mas não totalmente. É melhor que um treino só, porque em uma única sessão, atinge-se o cansaço e encerra-se o treino.

Microciclo de controle: serve para ver as condições do atleta. Baseia-se em exames clínicos, psicológicos, etc.... Não deve ser uma interrupção do treino normal, pode ser difundido em vários dias.

Microciclo competitivo: imita previamente (ex. 8 semanas) o ciclo de competição. Como num campeonato de vôlei, com jogo na 2 de manhã, 3 à noite,...... Pode-se criar também o ambiente de competição (vídeo da olimpíada para os nadadores russos, jogo de vôlei com temperatura do dia e som de público).

Platonov: "a capacidade de trabalho diminui notavelmente só com a primeira dose significativa de trabalho."

Com a repetição do exercício verifica-se a estabilização prolongada do estado da capacidade de trabalho diminuída. Neste caso o organismo mesmo nas condições de sub-recuperação é capaz de manter o alto nível.

Os homens chegam mais fácil ao overtraining porque é difícil controlar a agenda do treino dos homens, uma vez que eles não têm um ciclo regulador como as mulheres.

Distribuição das cargas na semana:

Picos

2

3

4

5

6

sábado

domingo

1

60%

70%

70%

90%

100%

60%

20%

2

70%

80%

100%

50%

80%

100%

20%

3

70%

80%

60%

100%

40%

90%

20%

4

70%

10%

90%

50%

100%

90%

20%

Velocistas podem usar 4 picos de carga na semana. Esportes coletivos, 3 picos semanais, e esportes aeróbios de longa duração, 2 picos por semana. Se um atleta aeróbio quiser usar 4 picos não deve depletar nos 4 picos.

Com o aumento do volume de treino cai a capacidade neuromuscular. Deve-se dosar o volume tentando não perder a qualidade do movimento. Essa afirmativa é válida tanto dentro de um dia quanto de um mês, ou ano. Se houver perda superior a 20% da capacidade neuromuscular não se consegue recuperá-la no ciclo. Esse processo ocorre tanto na parte bioquímica quanto na psicológica.

MICROCICLO PARA MULHERES

 

DURAÇÃO DO CICLO

21-22

24-26

27-28

29-30

32-36

Carga

Etapa do ciclo

Menstrual

1-4

1-4

1-5

1-5

1-5

Média

Pós-menstrual

5-9

5-11

6-12

6-13

6-16

Alta

Ovulatório

10-12

12-14

13-15

14-16

17-19

Média

Pós-ovulatório

13-18

15-22

16-24

17-26

20-31

Alta

Pré-menstrual

19-22

23-26

25-28

27-30

32-36

Baixa

De acordo com esse estudo as mulheres estão mais aptas na fase pós-menstrual, mas existem muitas divergências com relação a esse fato.

 

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