Pois é, parece que foi ontem. No começo dos anos 80 havia uma
efervescência roqueira na zona sul do Rio de Janeiro, por conta de um
monte de jovens que faziam um som porque gostavam de tocar ou tinham um
sonho, na Pontifica Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC-RJ,
Paula fazia Comunicação Visual e Desenho Industrial, Leoni fazia
Direito, Bruno cursava História e George Engenharia. Paula conheceu
Leoni numa aula de francês na faculdade e ficou sabendo que ele tinha
uma banda com o amigo Beni, que tocava bateria, e com o guitarrista
Pedro Farah.
Logo Paula estava namorando e fazendo música com Leoni, comparecendo aos
ensaios e cantando na banda. Um amigo do Leoni que conhecia o George e o
viu tocando sax em Búzios disse que ia apresentá-lo para um pessoal que
estava fazendo um som em Ipanema. George foi, viu e se entrosou com o
pessoal, assim nasceu à primeira formação, ainda sem um nome, com Leoni,
Paula, Beni, George e Pedro.
No
verão de 1981 / 82, foi armada num canto da praia de Ipanema, no
Arpoador, a lona do Circo Voador, aprontação de um grupo jovem de
teatro, o Asdrúbal Trouxe o Trombone. Debaixo da lona tocariam alguns
grupos de rock que estavam começando no Rio de Janeiro, como o Barão
Vermelho, João Penca e Seus Miquinhos Amestrados e a Blitz ainda com
Lobão na bateria. Mas foi quando a lona levantou vôo e pousou, em
Outubro de 1982, sob os Arcos da Lapa, que a coisa pegou fogo. Uma série
de shows chamada Rock Voador, produzida por Maria Juçá e apresentada por
Perfeito Fortuna, forneceu um espaço semanal para as bandas novas do
rock e um público interessado por músicas novas que tivesse a sua cara e
não aquelas coisa complicadas da MPBzona.
O
Kid Abelha não chegou a se apresentar no Arpoador e, enquanto o Circo da
Lapa não vinha eles gravaram uma música, Distração, aproveitando um
período cedido por um amigo no estúdio Sonoviso. Quando a música ficou
pronta, o Beni foi leva a fita em Niterói, na Rádio Fluminense FM, uma
emissora nova, que tinha como locutor o Luiz Antonio Mello, que tocava
rock direto e dava uma força para as bandas novas. O Luiz Antonio Mello
decidiu botar no ar na mesma hora a música, mas a banda oficialmente não
tinha nome ainda. Kid Abelha e os Abóboras Selvagens era o primeiro nome
de uma lista com possíveis nomes para a banda, na lista tinha nomes como
Morangotangos e Tia Henry e os Três Porquinhos. Beni e Leoni já haviam
usado Kid Abelha e os Abóboras Selvagens uma vez numa apresentação de
colégio. Acabou que ficou este nome mesmo e assim estava batizada a
banda, no grito e por livre e espontânea pressão, nos estúdios da Rádio
Fluminense.
O
George Israel lembra que estava passando pelo Aterro do Flamengo ouvindo
a Fluminense e aí: “De repente entra a música, e o locutor anunciando no
rádio aquele nome estranho e eu pensei: ‘Não acredito eu toco numa banda
chamada Kid Abelha e os Abóboras Selvagens’. Depois acabei achando
engraçado as pessoas falando seriamente sobre Kid Abelha na gravadora,
nas rádios. Parecia non sense, provocação.” É mas a gravadora ainda não
tinha rolado. Quando começou a série Rock Voador, na Lapa, o Kid entrou
naquelas eufóricas noites de sexta e sábado que iam até quatro, cinco da
manhã, com cinco ou seis bandas tocando na mesma noite. O crescimento de
público, as músicas gravadas por conta própria tocando na Rádio
Fluminense e foi questão de tempo para que as gravadoras se
interessassem. Uma delas, a WEA, resolveu fazer uma coletânea de grupos
novos com duas músicas de cada um. O Kid foi um dos escolhidos pelo
produtor Gregório Nogueira, ao lado de Papel de Mil, Celso Blues boy,
Maurício Mello e a Companhia Mágica, Sangue da Cidade e Malu Vianna.
Bruno lembra que chegou a gravar uma fita para o mesmo projeto com uma
outra banda, mas não foi escolhido. Como o Kid tinha apenas uma música,
Distração, entraram em estúdio para gravar a segunda e fizeram três para
escolher: Nenhum Contato, Pintura Íntima (com arranjo diferente) e Vida
de Cão é Chato pra Cachorro. Escolheram Vida de Cão... E o Kid Abelha
estreou no disco (Rock Voador) no final de 1982.
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