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O diabo como guia turístico
Elben M. Lenz César
“O diabo o levou a um monte muito alto e lhe mostrou todos os
reinos do mundo e seu esplendor” (Mt. 4.8)
Se há um guia turístico que não merece a menor
confiança, este não é outro senão o diabo.
Ele mostra o que quer mostrar. O que é de seu
interesse. O que lhe traz vantagem pessoal. O diabo sabe
desconversar, sabe despistar, sabe desnortear. É até capaz de
cegar “o entendimento dos incrédulos, para que não vejam a luz
do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”
(2Co 4.4).
O enganador mostra a árvore do conhecimento do bem e do
mal e aponta para o seu fruto, mas tira da memória a palavra
anteriormente proferida por Deus, de que se o homem comesse
aquele fruto certamente morreria (Gn 2.16-17; 3.1-7).
O enganador mostra a Davi, num relance, a esposa de um
general do seu exército nuazinha, tomando banho, e desperta nele
uma vontade incontrolável de se deitar com ela, mas esconde do
pobre homem o grande sofrimento e o arrependimento que o rei
teria em seguida (2Sm 11.1-12.25).
O enganador mostra ao jovem carente de juízo, a cama
arrumada e perfumada da linda mulher adúltera cujo o marido está
viajando, mas não deixa o rapaz saber que ele é “como o boi que
vai para o matadouro” ou “como a corsa que corre para a rede até
que a flecha lhe atravesse o coração” (Pv 7.1-27).
O enganador mostra o estranho prazer das compras, das
possessões, das riquezas, mas oculta o vazio de tudo isto, a
eterna mesmice da vida desligada de Deus e a vaidade de tudo (Ec
1.1-6.12).
O enganador mostra o argueiro que está no olho do
outro, mas não deixa você ver a trave que está em seu próprio
olho (Mt 7.3).
O enganador mostra a porta larga e o caminho espaçoso,
a quantidade enorme de pessoas que entram por ela e a pesquisa
de opinião pública que é favorável a esta via, de forma
esmagadoramente contrária à porta estreita e ao caminho
apertado, mas não revela que o caminho espaçoso conduz à
perdição total e irreversível (Mt 7.13-14).
O enganador mostra que não compensa guardar puro o
coração e lavar as mãos na inocência, porque os maus prosperam
mais do que os bons, mas faz segredo da justiça de Deus que, se
não galardoa o justo nesta vida, há de dar-lhe salvação eterna e
galardão eterno (Sl 73 1-28).
O enganador é capaz de mostrar a glória dos reinos
deste mundo (Mt 4.8) e esconder a glória de Jesus Cristo (2Co
4.4).
O enganador mostra a leve e momentânea tribulação a que
estão sujeitos os seguidores de Jesus, mas nem sequer faz
referência ao eterno peso de glória,
acima de toda a comparação que lhes há de acompanhar (2Co 4.17).
O enganador mostra o poder de seus magos em transformar
com ciências ocultas, varas em cobras, mas esconde a cena
seguinte que mostra a vara de Arão devorando as varas deles (Êx
7.8-13).
O enganador mostra o Jesus desfigurado sem aparência
nem formosura, desprezado e rejeitado por todo mundo (Is 53.2),
montado num jumentinho, ridicularizado, pregado numa cruz entre
dois criminosos e abandonado por seus discípulos, mas omite a
rasgadura do véu do templo, o túmulo vazio, as aparições de
Jesus com muitas provas incontestáveis, a sua ascensão e seu
segundo advento “em grande poder e glória” (Mt 24.30).
O enganador pode até se dar ao luxo de mostrar a
bondade de Deus com palavras encantadoras e exemplos históricos,
mas não abre a boca para apresentar o outro lado da moeda, a
severidade de Deus, no intuito de fazer desaparecer o temor do
Senhor por meio do qual os homens evitam o mal (Rm 11.22; Pv
16.6).
Em sua peregrinação por este mundo, tome cuidado para
não contratar o pior guia turístico de todos os tempos. Jesus
mandou que ele se retirasse de sua frente.
Faça você o mesmo!
Extraído da Revista Ultimato
www.ultimato.com.br |
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