|
|
|
A Noiva estava linda...
Ronaldo Lidório
“Regozijemo-nos, e exultemos, e demos-lhe a glória; porque são
chegadas as bodas do Cordeiro, e já a sua noiva se preparou”
Apocalipse 19:7
Há um ar de desapontamento com a Igreja em nosso país.
Ouço vozes esmorecidas e vejo olhares que não brilham
mais. É o desencanto com a Noiva.
Noto que a desilusão vem pela tristeza ao ver cenários
onde o louvor e a pregação se transformam em fonte de lucro e
não conseqüência de corações transbordantes. Pela proliferação
de igrejas cada vez mais cheias, porém aparentemente tão vazias,
menos comprometidas com a Palavra, sem sede de santidade e
paixão pelos perdidos. Segue pela tênue linha que por vezes
parece não distinguir muito bem Igreja e mundo, especialmente
quando o binômio interesse e finanças se apresenta, e ainda pela
dificuldade em identificar a Igreja de Cristo em meio aos
movimentos religiosos.
O desencanto faz o povo olhar para o passado e
relembrar os velhos tempos. Comenta-se sobre os pastores à
antiga e dias quando a Igreja ainda via simplesmente na Palavra
razão suficiente para o santo ajuntamento. Tempos quando o
constrangimento por ser crente era resultado da discriminação,
porém jamais identificação com o injusto e o desonesto. Por fim
suspira-se desanimado.
Em momentos assim é preciso lembrar que Jesus jamais
perdeu o absoluto controle sobre a história da Igreja. Jamais
foi surpreendido por coisa alguma em todos estes anos. Jamais
deixou de ser Senhor. Apesar das fortes cores de desalento a
Noiva está sendo conduzida ao altar e o dia de brilho há de
chegar.
Um amigo fez recentemente uma comparação entre a
Igreja, a Noiva, e nossas noivas, nossas esposas. Levou-me a
pensar no dia de meu casamento. Foi em 9 de dezembro de 1989. Já
namorava Rossana há 4 anos e, apaixonados, chegamos ao grande
dia. Apesar do amor e alegria pelo dia chegado tudo parecia
fadado ao fracasso absoluto. As flores foram encomendadas
erroneamente, a ornamentação do templo parecia jamais ter fim, o
vestido apresentou defeitos de última hora, a maquilagem
transcorria em um quarto apertado e com incrível agitação. A
noiva chorou pelos desencontros do dia. O andar de cima da casa
de meu sogro onde ela se arrumava tornou-se, aos meus olhos, em
um pátio de guerra. Pessoas entrando e saindo apressadas, faces
carregadas de ansiedade e um tom sempre apocalíptico a cada nova
notícia. Ao longo dos anos percebi que os casamentos são
parecidos neste ponto. A balbúrdia que cerca a noiva antecedendo
seu momento de brilho é emblemática. Aos olhos do passante que
vê a agitação sem fim, nada parece ter esperança.
Fui para a cerimônia esperando o pior. Jamais seria
possível contornar todos os imprevistos, e o impensado poderia
acontecer: a noiva não estaria pronta! Enquanto pensava nisto,
ali no altar, eis que ela chega. Estava linda, uma verdadeira
princesa. O rosto sorridente, o caminhar lento e seguro, o
vestido alvo como a neve, simplesmente perfeita . A música, a
ornamentação, as palavras, tudo se encaixava. Que milagre
poderia transformar um dia de caos em um momento de brilho tão
belo? As horas de luta, as lágrimas derramadas, os desencontros
e desalento foram rapidamente esquecidos e um só pensamento
pairava naquele saguão: a Noiva estava linda.
Talvez vivamos hoje dias melancólicos ao visualizar a
Igreja quando manchas e mazelas tentam levar nossa esperança
para o cativeiro da desilusão crônica. A casa está desarrumada,
o vestido da Noiva não nos parece branco, há graves rumores de
que ela não ficará pronta.
É, porém, em momentos assim que Deus intervém. Lava as
vestes do Seu povo, levanta caído, renova o profeta, purifica a
Igreja e nos dá sonhos de alegria.
Chegará o dia, e não tarda, que seremos tomados por
Jesus. Neste dia há de se dizer: Eis o Noivo, é o Senhor que
conduz a Igreja. Jamais a deixou só. Como é fiel!
E creio que todos nós também pensaremos, extremamente
admirados: Eis a Noiva, como está linda!
|
|
|
|
|