|
|
|
Crer é crescer
José Kleber Calixto
"...para que não mais sejamos como meninos, (...). Mas, seguindo
a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça,
Cristo," Efesios 4:14,15
A maioria das pessoas deseja viver profundamente e
sugar todo o néctar da vida. Quer viver, e não simplesmente
existir. Não se deixa enganar pelo raciocínio de que respirar é
viver. Paul Tournier escreveu acerca de um homem que veio
consulta-lo certo dia e disse: “vim vê-lo porque estou
procurando a vida”.
Talvez a busca daquele homem seja a busca de muitos de
nós. A despeito de termos uma boa aparência e efetivamente
estejamos respirando satisfatoriamente, a maioria padece de uma
artificialidade e vazio de vida. Aparentemente, possui muito;
intimamente, contudo, confessa possuir muito pouco.
De certo, não há receita simples para se distribuírem
àqueles que buscam a vida. Não há consenso sobre as necessidades
fundamentais do seres humanos. Todos nós temos necessidades
fisiológicas: precisamos comer, beber e descansar. Temos
necessidades psicológicas, como segurança, auto-estima,
reconhecimento, respeito, controle e novas experiências.
Entretanto, sejam quais forem as necessidades, há um
consenso de que viver – ou seja, experimentar a plenitude da
vida –, é crescer. Mas o que significa crescer? Que processo é
esse que é a essência da vida? Entre outras coisas, crescer
significa:
1. Crescer em nossos relacionamentos
Esse crescimento é tridimensional: relacionamento com Deus, com
o próximo e conosco mesmo. Mas em que isto implica? Isto
significa entender que os relacionamentos exigem. Seja qual for
o nível de relacionamento é imprescindível estarmos dispostos a
dar, a investir tempo e energia, a ceder às vezes em nossas
preferenciais e direitos, a deixar de lado os aborrecimentos, e
a oferecer vários tipos de apoio. Os relacionamentos trazem
sempre a sintomatologia de nosso grau de crescimento. E quanto
maior for a profundidade do relacionamento (Deus, casamento,
igreja, amizades, etc., sempre nessa ordem), mais exigente será
a relação e mais necessária será a nossa maturidade em dar de
nós mesmos.
2. Assumir responsabilidade por nosso comportamento
A tendência normal das crianças é sempre jogar no outro a culpa
de seu comportamento. Portanto, crescer também significa
responsabilizarmos também por nossos comportamentos: sejam eles
louváveis ou não. E se quisermos crescer de fato, devemos fugir
da tentação pueril de nos refugiarmos numa vida de autopiedade,
culpando qualquer um e qualquer coisa pela própria situação.
Somos o que somos por causa das nossas escolhas e decisões ou
de-cisões; agimos como agimos não por força do mundo em volta de
nós, mas porque decidimos assim ser e agir. Crescer, portanto
implica em ter a capacidade de reconhecer a nossa autonomia em
nossas decisões e escolhas que acabam por determinar o nosso
comportamento.
3. Ter uma compreensão realista do mundo
Pediram certa feita para Helen Keller identificar a pior coisa
que poderia acontecer a uma pessoa. “a pior coisa – respondeu
ela, é ter olhos e não ver”. Crescer significa também ter uma
visão realista do nosso mundo. A maioria das pessoas como as
crianças vêem o mundo a partir de seus sentimentos
transformando-o numa espécie de “Disneylândia” – um mundo de
fantasia e cores, ou numa “casa de pesadelos” (em todas as suas
versões). O mundo tem que ser encarado com as suas próprias
cores, nunca fantasiado como se fugindo da realidade pudéssemos
resolver todos os nossos problemas; nunca visto pelas lentes do
“caos”. Para isso, temos que aprender a viver desfrutando do que
possuímos em vez de lamentarmo-nos pelo que não possuímos. Esta
é a visão madura da vida: não temos tudo e nunca teremos – mesmo
o homem mais rico da terra; mas também não podemos dizer "nada
possuímos": somos ricos com aquilo que já temos bastando-nos
desfrutar da melhor maneira possível.
Por mais difícil e doloroso que seja o processo de
crescimento, dependemos dele para sermos pessoas felizes e úteis
nas mãos de Deus. há riscos ao longo do caminho. Não chegamos lá
de limusine. Chegamos lá lutando contra os obstáculos. É
necessário, portanto, nos conscientizarmos deles e não permitir
que nos derrubem.
Que Deus nos abençoe.
Rev. José Kleber Igreja Presbiteriana de Coromandel-MG
|
|
|
|
|