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Uma reflexão sobre Predestinação
Norman Geisler

"Fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as cousas conforme o conselho da sua vontade" (Efésios 1:11).

     A controvertida palavra “proorizo” é consistentemente dada como “predestinado” ou “preordenado”. Pro significa “de antemão”; horizo, de onde vem horizonte, significa “lançar uma fronteira, marcar definitivamente, determinar”. O Novo Testamento ensina que Deus decidiu alguma coisa de antemão sobre:
• sua sabedoria ou plano para salvar o homem por Cristo (1Co 2:7)
• os acontecimentos da morte de Cristo (At 4:28);
• aqueles que seriam salvos (Rm 8:29-30; Ef 1:5,11).
     Isto significa que o futuro está fixado? Teria o homem livre arbítrio?
     Não há dúvidas que Deus tem perfeito conhecimento prévio. A tensão resulta da tentativa equilibrar o propósito predeterminado e o conhecimento prévio de Deus com a resposta do homem a Deus. O que dizem as Escrituras com respeito às facetas da predestinação relatadas?

O homem tem livre arbítrio
     Ele tem poder para escolher. Ele é posto em pé, com capacidade para escolher entre o bem e o mal, a vida ou a morte, para buscar a Deus, para querer, para vir à luz, para buscar a imortalidade, para perguntar, para buscar e bater, e para encontrar e entrar no caminho estreito que conduz à vida (Ec 7:29; Is 7:16; Dt 30:15; Jr 29:13; Jo 7:17; 3:21; Rm 2:7; Mt 7:7-8,13-14). Alguns dizem: "Não posso evitá-lo; é assim que Deus me fez. Não posso fazer nada com isso." Mas o homem pode assumir plena responsabilidade por sua vida (2Co 5:10).
     Deus nunca revogou o livre arbítrio do homem, fazendo dele um fantoche. Faraó pecou endurecendo seu próprio coração (Êx 9:34; 8:15). Deus deu a Faraó oportunidades para crer, mas sabia que ele decidiria ser teimoso (7:14). O mesmo sol que derrete a cera, endurece a argila. Desde que Deus apresentou a Faraó estas circunstâncias sabendo que ele lhes resistiria, é dito que Deus endureceu o coração dele (Êx 4:21; 7:3; 9:12; 10:27; 11:10; 14:8). Assim, Deus predeterminou que ele seria glorificado pela resistência dos egípcios (Êx 6:7; 9:16; 11:9; 14:17-18). A providência de Deus pode usar as livres escolhas dos homens maus para cumprir seu propósito (Jr 21:1-14; 25:4-14; Is 10:5-7, 15; Hc 1:6, 12). Se o homem não obedece, não é porque foi predestinado para que não possa obedecer. É porque ele não obedece (Jo 5:40; 3:19-20).

Deus deseja que todos sejam salvos (1Tm 5:24)
     Ele não quer que ninguém seja perdido, pois não se deleita na morte dos ímpios (2Pe 3:9; Ez 18:32). Não sendo parcial nem arbitrário, ele ama todos os homens igualmente (At 10:34; Rm 2:11; 5:8; Jo 3:16). Jesus morreu por todos, pois o evangelho é para todos (Hb 2:9; 1Jo 2:2).
     Assim, Deus não poderia ter tirado nomes de um chapéu antes da fundação do mundo e feito arbitrariamente uma lista dos que iriam para o céu ou o inferno. Seja em que lista que você estivesse, você não poderia fazer nada sobre isso? Não, pois Deus é bom e justo (Dt 32:4)!

Deus sabe todas as coisas
     Nada é oculto de seu infinito entendimento (Hb 4:13; Sl 147:5). Sendo onisciente, ele sabe o fim desde o começo e pode, sem errar, predizer o futuro (Is 46:10; 41:23). Exatamente como ele faz isto está além do nosso conhecimento (Rm 11:33). Desde que ele habita a eternidade (Is 57:15), ele transcende tempo e espaço, não sendo sujeito a suas limitações. Ele não tem futuro nem passado, mas somente um eterno agora, como um infinito EU SOU (Êx 3:14). Ele não vê o que consideramos o futuro como uma potencialidade não exercida, mas como realidade efetiva, fixada pelos resultados da livre escolha do homem dentro de seu propósito transcendente. Se você gravasse com uma filmadora de vídeo um jogo de futebol, o que você visse estaria fixado. Mas, gravando-o, você não determina a contagem final. Outros o fariam. Deus, de Seu elevado ponto de observação, vê e opera a história sem interferir com a liberdade do homem ao usá-la.
     O perfeito conhecimento prévio de Deus não viola a escolha do homem. Há uma diferença entre saber uma coisa e fazer com que ela aconteça. Eu sei que John F. Kennedy foi morto em 22 de novembro de 1963. Entretanto meu conhecimento não altera um acontecimento passado. O conhecimento de Deus também se estende ao que consideramos o futuro. Ele pode prever um evento sem fazer com que aconteça. Ele chamou Ciro e Josias pelos nomes muitos anos antes deles nascerem e soube exatamente o que eles livremente fariam (Is 44:28-45:7; 1 Reis 13:2).
     Se Deus experimenta os acontecimentos como o fazemos, então seria impossível predizer sempre acuradamente o futuro. Se há coisas que ele não sabe, então ele as aprenderá e se surpreenderá quando acontecerem, até mesmo no Dia do Julgamento. Se fosse assim, ele não seria imutável e onisciente! Alguns pensam que ele decide não saber algumas coisas. Mas ele teria que primeiro conhecê-las para que pudesse saber que tinha escolhido não conhecê-las (?). Deus, contudo, sabe todas as coisas de sua eterna perspectiva. Ele sabe, desde a fundação do mundo, os nomes dos que não seriam inscritos no livro da vida e, também os nomes que serão (Ap 13:8; 17:8).

Deus tem um eterno propósito.
     Sua determinação eterna é um plano de salvação para o homem (1Pe 1:20; 1Co 2:7; Ef 1:11). O propósito de Deus para salvar o homem será aceito por aqueles que o amam e obedecem (Rm 8:28; At 10:35). "Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho... e aos que predestinou, a esses também chamou" (Rm 8:29-30). Ele sabia de antemão que alguns responderiam livremente ao seu gracioso plano. Aqui, o propósito de Deus de redenção é visto como completo, para mostrar a segurança dele. O plano de Deus é dito como sendo cumprido quando o cumprimento ainda é futuro (Gn 17:5; Js 6:2; At 18:10). Seu propósito não pode falhar. Os homens podem escolher ser parte dele. Estes são predestinados. Você pode predestinar uma secretária determinando previamente as habilidades exigidas. Aquela que preencher sua especificação foi predestinada! Deus predeterminou que os salvos seriam somente aqueles que escolhem ser "conformes à imagem de seu Filho". Estes obedecerão ao chamado do evangelho. Esta adoção benevolente de filhos obedientes em Cristo é a predestinação: ".. nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef 1:5).
     Estejamos portanto encorajados, porque podemos escolher ser uma parte do eterno propósito de Deus.

Norman Geisler é pastor e teólogo dos mais respeitados em todo o mundo. Possui vários livros escritos, entre eles “Eleitos mas Livres” publicado pela Editora Vida.
 

 

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