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O que ACONTECE em sua Igreja?
Ricardo Barbosa de Sousa
A busca por algo “novo”, nem sempre é a solução para o seu
descontentamento com sua igreja local.
– Ah, eu não perco tempo de ir àquela igreja, não. Ela
é morta. Quero ir aonde aconteça alguma coisa, disse certa
senhora.
De certo modo, a maioria de nós partilha de sentimentos
assim. Algumas igrejas estão realmente mortas. Mas se estão, é
porque os crentes estão mortos. Numa igreja onde houver um
crente vivo, a igreja não estará totalmente morta. E este crente
vivo pode avivar e revitalizar a igreja pelo poder de Deus. E se
fizer isto, talvez esteja demonstrando uma espiritualidade mais
profunda do que aquele crente impaciente que vai procurar outra
igreja onde esteja “acontecendo” alguma coisa.
Talvez seja bom analisarmos um pouco mais
detalhadamente , esta situação. Em alguns casos, essa mudança é
válida, quando é Deus quem a orienta. Mas precisamos estar
certos mesmos de que é Deus mesmo que está determinando esta
mudança, e não nós que estamos tentando fugir de um problema,
impulsionados pelo imaturo desejo de busca de emoções fortes.
A verdadeira pergunta que devemos fazer é a seguinte: o
que deveria estar acontecendo na igreja?
O mais importante nisso tudo é ter experiência da
presença de Deus. Existe por aí muito barulho emotivo que não é
operado por Deus, nem é evidência da presença dele. É coisa da
carne, gerada, organizada e manipulada por homens. Mas a
verdadeira consciência da presença de Deus, geralmente é
silenciosa. Há uma sensação de profundo respeito, reverência e
alegria santa. Sentimos que não estamos num piquenique, mas
pisamos terra santa. Não se trata de um divertimento, mas de uma
experiência da alma. Quanto mais profundo for o sentimento da
presença de Deus, menos disposição teremos para gritarias e
atitudes levianas. Quando uma igreja é invadida pelo sentimento
da presença de Deus, até os pecadores o percebem e sentem-se
impulsionados a buscarem o perdão de um Deus santo.
O sentimento da presença de Deus é acompanhado de um
consciente e deliberado espírito de adoração. Em todos os
cultos, as pessoas deviam apenas adorar a Deus, deviam louvar e
orar de maneiras que demonstrem quem Deus realmente é. Ele é
quem deve ser exaltado, e não seres humanos, que talvez estejam
na direção dos trabalhos. Não devemos ir à igreja para ver o que
está acontecendo. E não devemos ficar ali sentados como num
teatro ou cinema, pensando no que será que vai acontecer em
seguida. Não devemos ser meros assistentes, mas verdadeiros
adoradores, participantes e atuantes no culto. Não estamos ali
em busca de diversão, mas em busca de Deus, e Ele se deixa
encontrar por aqueles que o buscam de coração (Jr 29.13).
Outra coisa que é uma experiência correta, numa igreja
biblicamente viva, é a fiel e ungida pregação da Palavra de
Deus. Foi isso que Deus determinou. As pessoas que desejam
apenas emoções e não querem meditar, são cristãos superficiais,
que sentem-se entediados com a pregação simples da Palavra. Deus
está em sua Palavra. Ele colocou bem no centro do seu método de
operação a pregação da Palavra. E se a pregação é bíblica,
cristocêntrica, e se acha impregnada de verdades, e dinamizada
pela oração e pelo Espírito Santo, não existe nada mais poderoso
que ela. Quando a Palavra é pregada é realmente quando as coisas
estão “acontecendo”. Em nosso interior ocorrem maravilhosas
transformações. Os pecadores estão sendo despertados; crentes
estão sendo edificados, fortalecidos espiritualmente e
impulsionados a terem uma maior comunhão com Deus. Que outros
“acontecimentos” poderiam ter mais importância que estes?
Por fim, tudo que se passa numa igreja deve dar como
resultado um viver mais santo. Se isso não acontecer, a
exuberância religiosa não passa de mera fanfarra. A verdadeira
prova a que se deve submeter a espiritualidade de uma igreja é
da conduta ética, não a do seu êxtase. O que conta não é a
intensidade do barulho de uma igreja, mas o modo como os
cristãos vivem suas vidas dentro e fora dela, em situações de
paz ou enfrentando os mais diversos problemas. O que “acontece”
numa igreja viva deve frutificar em lares mais felizes, melhores
relacionamentos, e um testemunho mais coerente perante nossos
vizinhos e colegas de trabalho. Desse modo, os “acontecimentos”
da igreja vão além das paredes do templo e se tornam uma força
que poderá transformar sua comunidade para Deus.
Ricardo Barbosa de Souza é pastor da Igreja Presbiteriana do
Planalto, é escritor e atua também como colunista nas revistas
Ultimato e Eclésia.
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