IGREJA ONLINE
  Home
  Onde Estamos
  Nossa Programação
  Em que Cremos
  Nosso Pastor
  Boletim Dominical
  Fale Conosco
  Pedido de Oração
ENTRETENIMENTO
  Artigos e Estudos
  Downloads
  Galeria de Fotos
  Links Relacionados
Identidade Denominacional
Carlos Siqueira

     O processo de identidade estabelece aquilo que somos com referência aquilo que não somos. A existência da identidade acontece pela negação do outro, onde aquilo que projetamos para nós, hora recebe influência, hora influencia. Sendo assim o relacionamento estabelece o termômetro que identificará como percebemos o meio em que estamos inseridos. Podemos parecer com o todo e em nossa individualidade possuirmos aspectos que são peculiares a grupos distintos, onde estaremos estabelecendo ligações favoráveis a ideologias percebidas da realidade comum.
     Assim percebemos em grupos, de certas regiões, que ao emigrarem trazem uma bagagem, influenciando a cultura local por hábitos que seriam referência não do todo , mas de uma minoria que interage com o coletivo. Assim podemos encontrar em todas as culturas pontos que são de outras e isto tem aumentado em função da globalização, pois a visão do diferente tem encontrado um impacto menor devido à aproximação dos povos.
     Quando avaliamos o processo de identidade da igreja observamos que existe em alguns casos, diferenças que ultrapassam as coisas aparentes , entrando na dimensão ideológica que define as individualidades com o todo. Encontramos uma divergência cultural que impossibilita em muitos casos o diálogo entre cristãos professos. Passamos a verificar que a igreja diverge tanto no aspecto doutrinário quanto no aspecto cultural, onde verificamos que um novo evangelho tem se propagado, trazendo um modismo que não encontra respaldo bíblico, pois defronta legalistas e liberalistas em uma onda que potencializa as diferenças. Tornamo-nos primos e não irmãos em cristo, onde o Espírito Santo já não pode mais exercer o ministério da koinonia, para que homens das mais diversas classes sociais , raças e percepções culturais, possam se ver segundo a imagem de cristo.
     A possibilidade de amar ao próximo como a nós mesmos tem estado distante, pois cada vez mais o entendido com o próximo está sendo interpretado como aquele que possui as mesmas formas de encarar a realidade do mundo espiritual e mesmo assim se fechando aos grupos denominacionais distintos, onde aquilo que falamos do outro, em nossos bate-papos nunca será aquilo que falamos com o outro, sobre aquilo que divergimos, enfim a hipocrisia de chamar de irmão pessoas que nem acreditamos que são salvas, pelo simples fato de se vestirem diferentes de nós e não possuírem a mesma teologia.
     Cada vez mais se dificulta à possibilidade de estabelecer uma unidade evangélica no Brasil, encontrando sempre o muro da ideologia da identidade denominacional, que vai de encontro com os interesses daqueles que dominam os diversos grupos com a possibilidade de influenciar e falar com autoridade profética sobre aquilo que entendem ser o rolo quente, mandado por Deus para a sua igreja aqui na terra.
     Cada vez mais verificamos que existe um tipo de música que está nas paradas mas não está nas igrejas. O mover do Espírito tem acontecido nos grandes shows e mega eventos de certas comunidades , mostrando então que há uma adoração que não está na maioria das rádios, mas é o reflexo daquilo que se louva nas igrejas. Existe um mercado que estabelece um louvor comercial que não é reflexo do grande mover da atual adoração no Brasil. Percebemos com isto que existe uma contra-cultura que não se submete a uma predominância retrógrada que aprendeu a estar na liderança sem ter com isto o direito. Assim acontece ano após ano quando não avaliamos a maneira como fazemos certas coisas já superadas, para a geração que veio depois de nós.
     Quando verificamos a vida do semelhante que ultrapassa as barreiras denominacionais; aqueles que alguns chamam de ímpios, mesmo se estes não tiverem o prazer com a iniqüidade, pois pode haver pessoas que mesmo sem conhecer a Cristo não pratiquem deliberadamente o mal. Descobrimos que o amor de muitos se esfriou faz tempo. A igreja que é a comunidade dos chamados para fora está satisfeita em permanecer longe dos não salvos, segura de si, no monte da adoração sem perceber o vale de ossos secos que clama por profetas que profetizem a palavra de Deus.
     O projeto utópico do fome zero, é o clamor de um povo que espera a manifestação dos filhos de Deus. Sabemos que não está nas mãos do homem realizar a obra que Deus estabeleceu para a igreja, não cabe ao mundo fazer, pois a ordem de Jesus foi para que a igreja desse ao povo o que comer, verificamos que não estamos pregando o evangelho para os semelhantes mas para aqueles que estão entrando nos templos morrendo de fome, pois do lado de fora a grande maioria está morrendo vítima da insensibilidade de uma igreja que se perdeu dentro de suas cercas. O mundo não entende a nossa língua, não porque jazem no maligno e sim porque já não falamos a língua dos homens faz muito tempo! Aprendemos a falar as mais diversas línguas estranhas e estrangeiras, mas a língua do homem está cada vez mais limitada ao que se chama diálogo , onde aquilo que falamos é fruto daquilo que entendemos quando ouvimos com atenção, pois desaprendemos a ouvir para depois refletir.
     Se nós não encontramos tolerância para conviver com àquilo que nos diferencia, muito menos o mundo para entrar nesta verborragia de palavras que falam de Deus constantemente, mas não são competentes para descer até a sensibilidade do fétido cheiro dos miseráveis que mendigam pelas encruzilhadas e lixões ,o pão de cada dia.
     Esquecemos que embora sejamos salvos pela graça, ainda continuamos com o vírus do pecado. O mundo não entende a nossa língua, muito menos a nossa ideologia cristã. Observamos que mesmo assim alguns conseguem cantar e louvar a Deus sem ter a vergonha de saber que na sua rua existem pessoas morrendo de fome de comida , de amor, de atenção, de respeito, de sorriso.
     Aprendemos que identidade denominacional é importante, pois se temos uma cara que imponha respeito ao mundo certamente o mundo respeitará a nossa instituição e seremos vistos com o passar do tempo como uma igreja que possui uma história cristã, mesmo se na nossa história, a única coisa que faça história é um evangelho que não modificou a nossa casa, a nossa rua, o nosso bairro , nosso estado e nossa nação.
     Precisamos viver por fé, mas uma fé que expresse as obras da salvação, pois enquanto nos omitimos de fazer aquilo que o mundo não pode fazer, pois o amor de Deus não foi dado ao mundo, mas como Jesus diz: eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus;
     Os escolhidos de Deus estão tão preocupados em manterem uma identidade de separação com o mundo que acabaram por se identificar com o mundo, pois a insensibilidade para com o próximo habita no mundo que não tem o amor do pai. O materialismo embutido na ganância do ter cada vez mais, tem vestido a humildade com jóias e carros importados , que estão nas garagens de mansões que foram granjeadas pela fé dos que foram simples como as pombas ao entregarem as suas ofertas, mas enganados pelos megalomaníacos da fé.
     Os profetas e apóstolos que não encontram mais títulos que satisfaçam a sua altivez, promovem a identidade denominacional estabelecida ao culto do deus ventre, sem ficarem ao menos com a cara envergonhada, pois enriquecem em nome de uma fidelidade dita divina. Bem disse Abraão : para que não digam que enriqueceram a Abraão, toma o que te pertence! Hoje aquele que não enriquece precisa reavaliar a sua fé. O senhor Jesus afirma que o filho do homem não tinha onde recostar a sua cabeça , hoje estamos encontrando tronos tal qual ocorreu com o paganismo romano que entronizou o apóstolo Pedro. Quando o senhor falou de acautelar-se da ganância , pois a vida do homem não consistia da quantidade de bens que ele possui, ele sabia o perigo que a sua igreja corria ao se corromper com o poder dos reinos da terra, onde o único que seria adorado era o príncipe deste século.
     Precisamos de uma identidade denominacional sim, mas que se pareça um pouco mais com a igreja dita do senhor e esta era a princípio comunitária com seus bens, repartia o pão com singeleza de coração, perseverava na doutrina dos apóstolos, reunia-se em oração esperando a conversão de almas ao evangelho e falava as multidões das maravilhas de Deus. A sua pregação convertia as multidões, pois falavam de Cristo e não de si mesmos, possuíam relacionamento profundo estabelecido de casa em casa no compartilhar das refeições, caiam na graça do povo e não possuíam nem ouro nem prata, mas apenas o poder de Deus para levantar coxo, curar enfermos e testemunhar sobre a salvação que há em Cristo Jesus. Eram conhecidos como a seita do caminho ou comunidade dos que estão no caminho, sendo o seu destino o não fincar estacas e erigir templos, mas alcançar o mundo com a mensagem do evangelho, uma igreja que respirava missões, que estava na terra mas objetivava o céu, pois Jesus disse que voltaria. Uma igreja que exercia o seu ministério nas ruas, nas prisões, nas praças, nas praias, nos lugares de concentração em massa, uma igreja que era identificada pela identidade de cristã por se parecer com seu mestre e senhor.

Carlos Siqueira é líder de Educação Cristã da Igreja Batista Betânia - RJ • www.ibbetania.com.br
 

 

Igreja Batista de Rio Grande RS - www.ibriogrande.net - e-mail: contato@ibriogrande.net - Fone: (53) 32329038