Qual seria o balanço de fim de ano do
inferno?
Carlos Sider
Alguns de nós certamente estão acostumados com reuniões
de resultados empresariais, onde diretores e gerentes se
esforçam por mostrar o que de bom foi feito e por esconder, de
todas as formas possíveis, as desgraças. E é também comum em
algumas empresas o presidente fazer ao final do ano um
pronunciamento de como se vê a situação e quais os vislumbres
para o ano seguinte.
Outro dia fiquei imaginando como poderia ser a reunião
deste final de ano do inferno, ainda mais em vista do que anda
acontecendo nas nossas igrejas... Aqui fica um devaneio...
"Caros colaboradores, anjos caídos engajados na prática
do mal, a todos os comandantes de nossas hostes malignas:
Não posso me furtar, eu, Lúcifer, de festejar os
resultados obtidos por nossas equipes, de reconhecer a
propriedade de nossas estratégias e projetos. Se é certo que o
Nazareno já assegurou seus domínios e sua vitória, é
reconfortante, pelo menos por ora, saber que temos espezinhado
parte dos que se apresentam como seu povo, e trazido alguns
conosco.
Nossos resultados tem sido realmente infernais! Mais
ainda por notar que temos conseguido quase que abrir nossas
sucursais dentro dos currais do assim chamado povo de Deus.
Quantos de nossos livros conseguimos editar e colocar nas
estantes dos cristãos! Quantas de nossas doutrinas logramos
travestir de cristãs! Realmente infernal! Definitivamente
maligno!
Não posso deixar de destacar o sucesso de nosso
programa “Igrejas para a Perdição”. Nada melhor do que incutir
na cabeça dos líderes de igreja que eles tem mesmo é que pregar
o que o povo quer ouvir; que seu sucesso está no número de fiéis
que freqüenta seu estabelecimento. Nada daquela doutrina
transformadora do Nazareno! Parabéns aos nossos colaboradores
que conseguiram inchar igrejas sem contudo qualquer crescimento
real ou importante; muito ao contrário, com um número até
decrescente de fiéis verdadeiros. Nunca plantamos tanto joio!
Temos batido recordes e mais recordes da plantação de joio!
Parabéns aos que conseguiram incutir em tantas igrejas um
sincretismo que seria impensável tempos atrás. Ao notar como
pastores e líderes, eles mesmos, conseguem chamar a velha
idolatria de ‘evangelho contemporâneo’, e ainda se emocionar com
isso... confesso que fico sem palavras... É definitivamente
infernal ver algumas de nossas práticas em curso nos púlpitos
por aí afora.
Se eles querem a tal vitória, que façamos de conta que
estamos por eles vencidos. Que façamos nossas micagens e que
deixemos a eles com um certo gosto de que conseguiram nos
amarrar. Como sabemos, no dia seguinte estamos de volta. Mal
sabem eles que os verdadeiros amarrados na história não somos
nós, e sim eles.
Outro programa que muito me orgulha é o chamado
“Igrejas com Depósitos”. Infernal a idéia de bonificar pastores
para que consigam fiéis contribuintes. Impressionante ver como
eles, para atingir suas metas e ganharem seus bônus, ensinam
verdadeiras barbaridades, exigindo do povo a entrega sacrificial
de bens que nem sequer ainda possuem em troca de uma suposta
benção material... Ainda bem que o título de ‘pai da mentira’ me
foi dado tempos atrás. Hoje em dia eu teria dificuldades para
vencer tantos desafiantes... Tiro o meu chapéu para estas
mentiras deles.
E como não lembrar do nosso velho, tradicional e sempre
eficaz programa “Lobos em pele de ovelha”? Que sigamos plantando
nosso joio no meio do trigo. Que sigamos colocando nossos
emissários em postos-chave de alto comando de igrejas e suas
denominações. Temos crescido bastante, e não é para menos! A
medida que o tempo passa as verdadeiras ovelhas leêm cada vez
menos suas Bíblias, e é impressionante como caem nas nossas
armadilhas mais elementares. É como tirar o doce de crianças. E,
afinal, como cada dia que passa as tais ovelhas acreditam menos
em nossa existência, elas não prestam mais atenção, não vigiam,
não montam guarda. Nosso caminho fica cada vez mais livre. Não
desanimem, caros demônios... É certo que sem resistência nossa
luta até perde um pouco da graça, mas sigam adiante. Se no
passado tínhamos o desafio de ficar a espreita e usar de novas
estratégias a cada dia, que não nos desanimemos ao encontrarmos
portas escancaradas.
Que sigamos imitando a luz. Que sigamos fazendo de
conta que nossa luz é a verdadeira. Nada melhor do que atrair
bobinhos para a nossa noite escura fazendo-os correr atrás de um
sol de mentira...
Que sigamos cobrindo nossas mentiras com um pouco da
verdade. Nada melhor do que disfarçar nossas artimanhas com uma
roupagem toda santa. Sempre foram nossas iscas, e seguirão
sendo. O anzol sempre é embrulhado com uma isca apetitosa. Que o
nosso anzol jamais fique exposto, antes seja embrulhado com bons
e apetitosos chamarizes.
Que sigamos fazendo-os crer que a verdadeira vida está
nos rituais, nas celebrações. Que eles sigam cantando ‘seus
mantras’ que nada dizem e nada produzem a não ser irritação para
o ‘Eu sou’. Afinal, não foi Ele mesmo que disse que as tais
canções eram um barulho insuportável em seus ouvidos (o tal de
‘estrépito’) quando cantadas por gente que não vivia o que
cantava? Que eles sigam ‘fazendo barulho’, e que sigam
acreditando que o tal ‘viver no Espírito’ é mesmo ter as tais
experiências estapafúrdias na hora da celebração. Enquanto eles
pensarem que evangelho é só isso, melhor. Jamais se encontrarão
com o que os pode de fato transformar. Nosso trabalho seguirá,
portanto, sendo feito.
E sempre o mais importante: que não nos esqueçamos de
destruir as famílias. Uma família destruída é mais eficaz do que
uma igreja destruída, mesmo porque duas ou três delas se
encarregam de acabar sozinhas com suas igrejas. E casais mal
resolvidos tornam-se pais imprestáveis. Pais imprestáveis
produzem lares insuportáveis, filhos doentes, carentes,
rebeldes, que não acreditam em mais nada, nem sequer em Deus. E
como a vida deles sempre foi um inferno (rsrsrs... deixem que
pensem que o inferno é ‘só isso’...), não vão pensar em se casar
jamais... e daí entra nossa velha estratégia: amor livre, curtir
o momento, etc, etc. E mesmo que se casem... que asseguremos que
seus lares sejam outras de nossas sucursais, não é mesmo?
Que eles continuem procurando a cura para seus
problemas dentro das garrafas de uísque, depois de um cigarro
bem fumado, depois de uma experiência sexual ‘além-muro’, dentro
das caixas de remédios para dormir, dentro de sei lá mais o que.
Que sejamos sempre ágeis em oferecer estas nossas soluções.
Quanto mais anestesiadas forem nossas vítimas, melhor. Que só
voltem a si quando for tarde demais.
Que continuemos ensinando que o tal ‘pecado’ é só um
dogma medieval... Afinal, que os bobinhos continuem crendo que a
verdade está com eles. Que sigam na busca de seu ‘eu interior’,
pois assim acabam esquecendo do ‘Eu sou’ que os transforma. A
palavra de ordem é distancia-los de Deus. Quanto mais longe
estiverem Dele, mais perto estarão de nós e de nossos atrativos.
Caros colaboradores de todas as nossas hierarquias, da
mais alta à mais humilde: saibam que vivemos o nosso momento.
Que aproveitemos o tempo. Se é certo que nosso futuro não é lá
muito brilhante, e dele não temos como escapar, que tragamos
conosco o maior número de vítimas.
Não importa que o próprio Nazareno já disse que os
últimos dias seriam assim mesmo, cheios de apostasia da igreja.
Que não fiquemos nos lembrando que estamos soltos por pouco
tempo, onde pode parecer que só fazemos o que fazemos porque o
“Eu sou’ está deixando. Que tenhamos nosso foco nas vítimas, não
Nele. Nossa briga não é mais com Ele. Nossa luta é com as
ovelhas, com o rebanho Dele. Se não podemos com Ele, que
busquemos atingir os que andam à busca Dele.
Caros colaboradores: que tenham todos um infernal novo
ano, e que façamos da vida da igreja um inferno. E como temos
sempre feito até hoje: sem que eles percebam!
Conto com vocês. Obrigado."
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“Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao
redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar.”
1 Pedro 5:8
“Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder.
Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra
as ciladas do Diabo, pois a nossa luta não é contra seres
humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os
dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais
do mal nas regiões celestiais. Por isso, vistam toda a armadura
de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer
inabaláveis, depois de terem feito tudo. Assim, mantenham-se
firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça
da justiça e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho
da paz. Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês
poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. Usem o
capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de
Deus. Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e
súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na
oração por todos os santos.”
Efésios 6:10-18
Carlos Sider
Engenheiro e Administrador. Cristão há mais de 20 anos. Atuou
como executivo em diversas empresas e hoje é Diretor Geral da
Magna Latina, empresa que engloba a Provoice.
Visite o site ProVoice www.provoice.com.br
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