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Aos deprimidos pelas impressões deste mundo
Caio Fabio D'Araújo Filho

     É duro viver um “eclesiastes existencial” sem Deus no mundo, como a maioria parece viver.
     É quando a pessoa realmente acredita que é possível ser feliz por conta própria, e acredita que há muitas coisas que podem dar sentido à vida. Ou seja: sem a consciência de que tudo é vaidade; e sem saber que o único ganho humano das lutas da terra, é a benção de comer, beber, se alegrar, amar alguém, ter companhia no frio e ajuda na queda; mas que tudo isto também só faz sentido sob o temor de Deus: que é feito de uma reverencia amorosa e um amor reverente, implantado no cerne do ser e do olhar.
     No entanto, sem essa reverencia amorosa e esse amor reverente no cerne do ser, nada na existência tem significado. No caso de alguém vivendo um “eclesiastes existencial”, a tendência mais comum é atribuir tanta tristeza à falta total de esperança que se tem de que o Brasil e o mundo melhorem. Esse é o pretexto da tristeza de muitos; e, mal sabem eles, que se o mundo inteiro estivesse sem guerras, ninguém passasse fome, nenhuma corrupção acontecesse, e todos os homens assumissem que todos têm direito a serem quem são, e a viverem com liberdade — desde que não oprimindo o próximo no exercício da liberdade individual — ainda assim, estaríamos lamentando que os vizinhos não se falam; que alguém morre na casa bem acarpetada ao lado, e só é descoberto porque uma semana depois a arrumadeira aparece; que as pessoas ficam cada vez mais conectadas por meios virtuais e não presenciais; que sexo vira algo como levar massagem de fisioterapia — não importando o parceiro — tudo isso com muitas demonstrações de correção política, porém completamente sem afetividade na alma.
     Não adianta: sem transcendência espiritual não há nada que dê significado a uma existência sensível e pensante neste mundo caído.
     A contra-partida desse sentir é aquele que meu pai expressou a mim há poucos dias.
     “Eu, meu filho, ando cheio de alegria e regozijo. Tudo fruto da contemplação, pela fé, de minha herança em glória. Eu vou naquela linhazinha da contemplação. Pela fé eu intuo a maravilha da herança. Meu coração é arrebatado. É como se eu pudesse saber... Então, fico aqui no meu cantinho cheio de regozijo no espírito”.
     Para ele, a sua própria alma se tornou maior que o mundo; e tudo porque ele transcende em fé; e, pela contemplação que tem na ressurreição, o Portal que dá ao homem o poder de se alegrar na Terra, apesar de tudo.
     Vem-me à mente a declaração de Paulo de que se a nossa esperança em Cristo se limitasse apenas aos horizontes desta existência terrena, não nos restaria nada além de uma total desesperança.
     De fato é a Ressurreição de Jesus no tempo e no espaço o poder existencial que o Espírito Santo atualiza em nós, e que nos dá a alegria; alegria que vem da compreensão de que o destino da existência humana é gloria, conforme a gloria do Cristo Ressuscitado.
     Fica aqui minha mais sincera oração e desejo por todo aquele que esteja vivendo um “eclesiastes existencial” sem Deus na vida; para que essa pessoa tenha a chance de não morrer amargurada; tendo ainda a chance de experimentar a revelação da Graça e do Amor de Deus; por cujo novo olhar ela verá que o mundo é o mesmo; porém, completamente diferente.
 

 

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