A Cabanha Santa Isabel, além dos bovinos Shorthorn e Lincoln Red, está se preparando para iniciar pequenos planteis das raças Aberdeen Angus, Devon e Hereford. Nossa intenção em criar animais PO destas raças, baseia-se no desejo de manter estas raças com suas características fenotípicas originais, preservando seu padrão original. Para informações sobre qualquer uma de nossas raças, contate-nos!!

Aberdeen Angus

A raça Aberdeen Angus existe na Escócia há mais de 400 anos, foi desenvolvida no século XIX, no nordeste escocês, principalmente nos condados de Angus e Aberdeen. Sua origem é muito remota, em antigas esculturas estão representados bovinos mochos nesta região. O gado negro sem chifres é mencionado no século IX e no início do século XVI.

A mescla de todos os tipos locais em uma nova raça foi estimulada por dois grandes criadores, Hugh Watson e William McCombie, selecionadores nos condados de Angus e Aberdeen, respectivamente. A raça formada por eles e por seus vizinhos originou o Aberdeen Angus.

O moderno Aberdeen Angus é um animal altamente especializado na produção de carne cujos ancestrais podem ser traçados a varias linhagens mochas do século XIX na Escócia. Originalmente ambas linhagens, mochas e aspadas, eram criadas em Aberdeenshire.

Dentre as raças aspadas que formaram a raça são conhecidas o gado Brae ou Glen, a qual era criado nas partes mais altas de Aberdeenshire, estes animais eram de pequena estatura e de coloração negra ou parda escura. O gado Aberdeenshire era composto por bovinos de aspas longas, criados nas colinas do condado. Estes bovinos tiveram influencia dos bovinos Teeswater, que originou a raça Shorthorn, e o English Longhorn. Os melhores animais absorvidos por cruzamento destas raças eram encontrados em Fifeshire. Com o inicio do envio de gado para engorde na região de Norfolk estes animais se tornaram muito populares, porém, durante a segunda metade do século XVIII o gado mocho tomou seu lugar nestas tropeadas. Estes animais de pelagem negra, parda ou brazina se assemelhavam aos bovinos West Highland, porém de uma constituição mais pesada e mais precoce. A raça de Forfarshire, também um tipo de West Highland, foi absorvida pelo tipo mocho após 1835. Estes animais tinham aspas curtas, costelas profundas e pernas curtas, sendo a maioria de pelagem negra, às vezes com pequenas manchas brancas na cabeça e umbigo, animais brazinos, vermelhos, pardos e brancos eram vistos algumas vezes.

As linhagens ou raças mochas eram compostas principalmente pelos Buchan Humlies e pelos Angus Doddies. O Buchan Humlies eram representados por uma linhagen separada do gado Aberdeenshire criada em Buchan. Eram animais pequenos, de membros curtos, mochos ou de chifres curtos que eram conhecidos por serem bons animais de carne e leite. A linhagem Polled Aberdeenshire ou Angus Doddies eram animais mochos, grandes e fortes, com peito profundo e corpo longo, pernas fortes, mas com costelas estreitas e quartos traseiros mal desenvolvidos. A coloração era negra, negra com algumas manchas brancas, vermelho escuro, amarelado, pardo ou brazinos. Estes animais eram conhecidos por seu temperamento calmo, eram menos rústicos que o gado Galloway, sendo levados para os pastos no verão e mantidos estabulados por seis meses de inverno. Durante a Revolução Industrial estes animais eram estabulados e engordados em confinamento para os mercados de Edimburgo e Glasgow, também eram levados para ser engordados para o mercado de Smithfield em Londres, para abastecer a Marinha e o Exercito inglês.

Originalmente apresentava muitas cores, porém, quando o comércio de gado entre Escócia e Inglaterra se tornou ativo no século XVIII, os animais de pelagem negra eram preferidos pelos compradores. Em vista disso os criadores passaram a selecionar seus animais por este padrão de pelagem. A pelagem negra era creditada por ser mais rústica, conforme a crença do povo Celta. Por muitas décadas os animais vermelhos foram desprezados e não inscritos no herd book inglês. Recentemente espécimes de pelagem vermelha estão sendo aceitos pelo livro de registro.

De fato, o Red Angus ou a variedade de pelagem vermelha do Aberdeen Angus, tem origem no atavismo de um gene para a cor de pelagem, que a maioria das raças pretas escocesas possui. E mesmo rebanhos que possuem exclusivamente animais negros durante muitos anos, ocasionalmente ocorrem animais de pelagem vermelha.

Em 1523, onde eram numerosos rebanhos do gado negro “Humel” ou “Humble” (a palavra significa mocho), em Cutler, Condado de Aberdeenshire foram mantidos em estado puro até então. Após 1760, touros foram trazidos da Inglaterra, Países Baixos e sul da Escócia para serem usados no melhoramento deles e alguns fazendeiros iniciaram a seleção para certos padrões de pelagem. Os fazendeiros de Buchan preferiam animais negros ou negros com um pouco de branco no úbere, o qual acreditavam ser um sinal de vacas boas leiteiras.

No inicio do século XVII, quando a Escócia foi anexada a Inglaterra, produziu-se um ativo comércio de gado entre os dois países. Os animais preferidos no sul da ilha eram os pretos o que induziu os criadores a aumentar as invernadas desses mochos, eliminando os animais aspados.


Cupbearer


Justice

A nova raça teve o seu melhoramento no inicio do século XIX, usando os métodos de Bakewell e Collings, mas a precocidade e o marmoreio da carne do rebanho escocês não necessitavam de melhoramento. Gradualmente o tipo se tornou fixado como negro e mocho, embora o gene vermelho recessivo permaneceu com a raça.

Os mais importantes criadores destes bovinos durante os séculos XVIII e XIX foram William Fullerton, Lord Panmure, Lord Southesk e Alexander Bowie. Touros do rebanho Bowie da localidade de Kelly se tornaram os principais reprodutores para a fundação da raça Aberdeen Angus. Lord Southesk era conhecido por ter um rebanho descendente do gado mocho de pelagem cinza, a qual se acreditava ser originado dos bovinos Holandeses. Os touros de Bowie foram usados sobre o rebanho Southesk desenvolvendo os Aberdeen Angus iniciais.

O mais importante fundador da raça Aberdeen Angus foi Hugh Watson, cuja família iniciou a criar Angus desde 1735. Watson iniciou seu rebanho em Keillor no ano de 1808, mantendo-o fechado por 50 anos. O touro mais importante de Keillor foi “Old Jock”, e sua vaca mais famosa foi “Old Granny”, a qual produziu 29 crias em seus 36 anos de vida. Uma grande porcentagem do rebanho Angus pode ser traçada a estes dois animais.


Old Jock I


Pan of the Burn


Pride of The Tervie

Idelamere

O touro “Black Prince of Tillyfour 77” poder ser chamado de pai do Aberdeen Angus moderno e quase todos os animais da raça Aberdeen Angus tem este touro em sua genealogia, ele foi criado por Willian McCombie, um dos mais importantes criadores da raça no século XIX.

Um Herd Book foi estabelecido em 1862, inicialmente incluindo o Galloway, e por volta de 1867 a raça foi oficialmente reconhecida com o nome de Aberdeen Angus. Neste ano um novilho Aberdeen Angus ganhou a “Silver Cup” em Smithfield e a raça ganhou fama rapidamente, primeiro na França e durante os anos de 1870 na América do Norte, também na Austrália e Nova Zelândia. De fato, a raça foi exportada para a Austrália por volta de 1820, mas não houve um completo estabelecimento pelos 30 anos seguintes.


Prince of Inca

Inicialmente era uma raça muito baixa, de pernas curtas e corpo do tipo bloco. Porem o melhoramento genético, ocasionou um aumento da altura, comprimento e tornou a raça mais longilínea, especialmente nos últimos 30 anos nos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, através de cuidadoso processo de seleção. Mas isto hoje em dia esta mudando novamente, com a procura de um animal mais equilibrado, evitando os extremos de tamanhos.

O Aberdeen Angus se destaca entre as raças taurinas, por reunir um grande número de características que lhe asseguram um excelente resultado econômico como gado de corte.

Através de sua alta fertilidade, o gado Angus proporciona aos seus criadores um maior rendimento, tanto pelo número de terneiros produzidos, quanto pela quantidade de quilos obtidos por hectare.

A raça Angus apresenta uma precocidade, que, comparada com outras raças, sob as mesmas condições alimentares, atinge mais cedo a puberdade sexual, tanto em machos como em fêmeas, além de atingir o ponto de abate mais rápido.

A adaptação a condições ambientais adversas seja em temperaturas extremadas, altas ou baixas, solo seco ou alagadiço, campos altos ou abrigados, pastagens ricas ou pobres são inerentes à raça. Mesmo em situações adversas, as fêmeas produzem terneiros e os amamentam adequadamente, nem que para isto tenham que sacrificar parte de sua “gordura marmoreada”.

A raça é prepotente em cruzamentos com quase 100% da progênie nascendo com a pelagem negra ou vermelha e o caráter mocho. Os touros são ideais para ser acasalados com fêmeas de primeira cria, devido ao baixo peso ao nascer, gerando terneiros médios. A vaca Angus tem reduzido desgaste na parição diminuindo o intervalo entre partos.

A facilidade de parto da raça é renomada mundialmente, sendo esta uma característica que recebe alta prioridade em programas de seleção da raça. O criador de Aberdeen Angus da África do Sul tem um ditado que traduz bem isto; “Você pode dormir em paz, enquanto seus terneiros Angus estão nascendo”. A habilidade materna, é outra característica reconhecida mundialmente.

O fator mocho, esta recebendo grande importância por parte dos criadores, onde o tempo e o trabalho não são facilmente disponíveis. As taxas de terneiros mochos filhos de touros Angus em vacas cruzas, é altíssima, pois o caráter mocho é dominante sobre o caráter aspado.

Devido a sua sólida pigmentação nos olhos, não ocorrem problemas com câncer de olhos ou outras doenças relacionadas aos olhos. Em regiões onde ocorre neve, Canada, Estados Unidos, Suécia, Alemanha, não ocorrem problemas com o úbere das vacas, devido à alta pigmentação destes.

Esta é uma das raças o qual produz possivelmente a melhor carne do mundo, levemente marmoreada, suculenta e tenra. Este é um dos atributos excepcionais da raça e que lhe garante uma posição de liderança. A alta qualidade de sua carne é evidenciada através da opinião de autoridades do setor, e confirmada nos mais diferentes concursos realizados nos principais mercados produtores.

A perfeita e uniforme distribuição da gordura no tecido muscular lhe confere um aspecto muito atraente, carne marmoreada, e sabor singular. A importância dessa distribuição é exaltada quando da sua preparação: a gordura se derrete parcialmente pela ação do calor e impregna a parte magra, melhorando apreciavelmente seu valor, tornado-a tenra e apetecível.

O primeiro reprodutor Aberdeen Angus a entrar no Brasil foi o touro “Menelik”, em setembro de 1906, vindo do Uruguai e importado por Leonardo Collares Sobº, de Bagé, RS. Em março de 1914, o Visconde Ribeiro de Magalhães registrou 5 matrizes vindas da Inglaterra, registrando também o primeiro produto nacional, “São Paulo” HBB 9, importado no útero.

É uma raça muito popular, e foi exportada para muitos países. Na Argentina o Herd Book foi aberto no ano de 1879 e associação de raça em 1927. No Canadá o Herd Book foi aberto em 1885 e associação de raça em 1906. Países como Grécia, Finlândia, Alemanha. México, Japão, África do Sul, Namíbia, Paraguai, Irlanda, Nova Zelândia e Zimbabwe tem Livros de registro e associações de raça instalados.

No continente africano, a demanda por touros a serem exportados para Botswana, Namíbia e regiões do Oeste e Leste Transvaal na África do Sul, tem aumentado substancialmente em recentes anos.

Vários outros países também receberam bem a raça, incluindo vários na América do Sul se tornou a primeira raça exótica a ser importada para o Japão. No Reino Unido, a raça fornece 20% dos touros terminais para a industria de carne inglesa. È uma das raças de corte mais criadas na Argentina, Brasil, Uruguai, Austrália e África do Sul, nos Estados Unidos é a primeira raça de corte em registros, tendo hoje o dobro do número de registros da segunda raça, o Hereford.

O Aberdeen Angus “new type”, tem sido re-importado dos Estados Unidos, Nova Zelândia e Austrália por alguns criadores britânicos para melhorar os pesos de carcaça no Reino Unido, combinando assim o aumento de tamanho e potencial de crescimento com a tradicional qualidade de carne escocesa.

Raça de tamanho mediano, sendo que os animais de genética americana e canadense possuem frame maior. Atualmente a Argentina está direcionando sua seleção para um animal mais compacto, com frame menor, portanto com maior precocidade de terminação e acabamento de carcaça mais rápido.

Atualmente a raça apresenta peso adulto entre 850 e 1.100 kg para os machos e 500 e 650 kg para as fêmeas. As fêmeas mediam em media 110 cm por volta de 1960, hoje com a grande difusão de animais americanos e canadenses as vacas medem ao redor de 125 a 127 cm, enquanto que os touros medem entre 135 e 140 cm.

Hoje a pelagem vermelha está sendo muito procurada e animais vermelhos são muitas vezes preferidos aos de pelagem negra. Embora os animais negros possuam uma maior base genética e muitas vezes sejam superiores em fenótipo.

Em muitos países o Aberdeen Angus tem sido usada para formar novas raças sintéticas. Nos Estados Unidos entrou na formação do Amerifax (5/8 Angus e 3/8 Frísio) em 1971, do Barzona (25% Africander, 25% Hereford, 20,8% Shorthorn, 16,7% Angus e 12,5% Zebu), Brangus (3/8 Brahman e 5/8 Angus), Hash Cross (Hereford, Angus, Shorthorn e Scottish Highland), Holgus (Holandês X Angus), Regus (Red Angus X Hereford), Okie (Touros Angus ou Shorthorn X vacas Jersey ou Guernsey), RX3 (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Red Holstein), Chiangus (Chianina X Angus), Africangbus (30% Africander X 70% Angus) e os comerciais Better Idea (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Pardo Suiço) e Watson (Hereford, raças leiteiras, Beefmaster, Red Angus, Red Holstein e Pardo Suíço).

No Canadá foram desenvolvidos os híbridos Beef Synthetic (37% Angus, 34% Charolês, 21% Galloway, 5% Pardo Suíço e 3% outras raças) e o Pee Wee (Angus, Charolês, Galloway e Hereford) na Universidade de Alberta.


Aberdeen Angus - África do Sul - Década de 50


Aberdeen Angus - África do Sul - Década de 50

Na Alemanha existe o German Angus ou Angus Alemão, na Jamaica o Jamaica Black (1/4 a 3/8 Zebu e 3/4 a 5/8 Angus). No Japão o Japanese Poll (Wagyu X Angus) e o Japanese Black. Na Austrália o Murray Grey (vaca Shorthorn branco X touros Aberdeen Angus) e o Wokalup (Brahman, Charolês, Holandês Frísio, Hereford, Angus) do oeste Australiano. Na Ucrânia foram desenvolvidos os compostos Volynsk (1/4 Aberdeen Angus, 1/4 Limousin, 1/4 Hereford e 1/4 Russian Black Pied) e Znamensk (62,5% Aberdeen Angus, 25% Charolês e 12,5% Simental Russo). O Azerbaijão formou o Azangus através do cruzamento de touros Aberdeen Angus com vacas zebuínas locais.

No Brasil existe o Ibagé, formado na estação Cinco Cruzes da Embrapa em Bagé, RS, o qual possui 5/8 de sangue Aberdeen Angus e 3/8 de sangue zebu.

Sempre tivemos profunda admiração pelo Aberdeen, optamos por este criar animais que tenham grande caracterização racial. Nossa intenção é manter um plantel de animais registrados. Para este fim adquirimos recentemente sêmen de touros Angus negros e vermelhos com linhagens que apresentem fenótipo escocês apurado. Estes touros são nascidos entre os anos de 1969 e 1971, sendo que tiveram sêmen comercializado no Brasil durante a década de 70 e 80.

Possuímos sêmen dos seguintes touros:

- RR Rito 8799, touro de origem americana nascido em 1968. Filho de Rito N BAR em vaca Prides Lass of CC 521. Registrado na ANC Herdbook Collares sob IA - 05.

- Coastal Graham, touro de origem americana nascido em 1971. Filho de Menteith of Grahan 14 em vaca Blackbird of Coastalmere 45. Registrado na ANC Herdbook Collares sob HBB. 34.054.

- Biffles Challenger 796, touro de origem americana nascido em 1968. Filho de Emulous Challenger em vaca Biffles Emulous Lucy 348. Registrado na ANC Herdbook Collares sob IA - 04.

- CSU Concepcion 1502, touro de origem americana nascido em 1971. Filho de Black Revolution 568 em vaca CSU Concepciona 9502. Registrado na ANC Herdbook Collares sob HBB. 34.053.

- Packard Emulous 9171, touro de origem americana nascido em 1971. Filho de Emulous A93 em vaca Lucy of Ada 896. Registrado na ANC Herdbook Collares sob IA - 168.

- Beckton Stormalong 751-626, touro Red Angus de origem americana nascido em 1964. Filho de Beckton Stormalong 243 em vaca Beckton Minola Las M2. Registrado na ANC Herdbook Collares sob IA - 56.

- RRR Burke, touro Red Angus de origem americana nascido em 1968. Filho de RRR Duke 555 em vaca Beckton Firefly R220. Registrado na ANC Herdbook Collares sob IA - 54.

- Leachman Heaveny 8141, touro Red Angus de origem americana. Muito usado durante a década de 90 no Brasil.

 

 

 

- Dunloise Excalibur Y070, touro de genética fechada escocesa nascido em 1999. Filho de Evesund of Duplin em vaca Ejeta of Templehouse. Excalibur é reserva genética do Rare Breeds Survival Trust por sua caracterização e por pureza racial.

Dunloise Excalibur Y070

Aliando fêmeas de excelente caracterização racial com touros de pureza racial e performance comprovadas, esperamos manter o fenótipo original da raça Aberdeen Angus, isto é, Aberdeen Angus com cara e tipo de Aberdeen Angus.

 

Devon

O Devon é uma das raças mais antigas do Reino Unido. Sem duvida, é uma raça indígena do sudoeste da Inglaterra. É curioso notar que a primeira referência à mesma, a situa em Cornwall e não em Devonshire. Housman sustenta a opinião que a origem da raça na Inglaterra remonta à época das expedições dos Fenícios em busca de estanho na região de Cornwall. A raça tem mudado consideravelmente nos últimos 100 anos, mas muitos dos animais registrados são descendentes diretos dos primeiros animais registrados por Davy no então primeiro Livro genealógico publicado em 1850, e que pertencia a famílias que, segundo as mesmas, já criavam Devon há 150 anos.

No século XVIII, o Devon começou a expandir-se do oeste do Reino Unido, o famoso escultor Inglês de animais domésticos, Garrard, descreveu o Devon como a mais perfeita raça na Grã-Bretanha. Foi provavelmente Thomas William Coke, de Holkham Hall, Norfolk, no outro lado da Inglaterra, que mais introduziu o Devon em seu Condado. O famoso criador, o qual teve a idéia de unir as raças Norfolk e Suffolk em uma só raça, o Red Poll, foi influenciado pelo Duque de Bedford a trazer os pequenos e econômicos Devon para estes Condados.

A respeito de sua origem em Exmoor, o Devon tem provado ser tolerante a climas quentes, sendo hoje criado extensivamente na Austrália, Nova Zelândia, USA, Brasil e Jamaica. Esta habilidade em tolerar bem ao calor tem encorajado alguns pesquisadores a imaginar uma possível relação entre o Devon e o gado indiano trazido ao sudoeste da Inglaterra a muito tempo atrás, outros, porém, relacionam o Devon ao Salers da França.

No início do século XIX, o Devon foi exportado para a Tasmânia e para a Austrália em intervalos durante o século, até que restrições sanitárias colocaram fim as importações. O Devon teve mais de um século para mostrar seu valor em ambientes como Queensland, New South Wales e no seco e quente noroeste do oeste australiano. No século XIX, em Queensland, o Devon produziu tanta carne por acre quanto o Hereford ou o Shorthorn, e também, produziu uma boa proporção de carne magra quando cruzada com o Shorthorn.

Alguns dos rebanhos ingleses eram usados para produzir leite, mas as suas antigas características leiteiras foram negligenciadas. Entretanto, o rebanho original a qual acompanhou a família Pilgrim do porto de Plymonth em Devon no ano de 1623 para providencia-los leite, queijo e manteiga durante sua viagem para a América, continuaram a produzi-los quando eles colonizaram este continente. Ainda existe uma raça chamada Milking Devon em Massachusets, o qual é muito semelhante ao tipo original do século XVII, sendo, portanto um valioso banco genético. Em 1960, a raça foi exportada para o Canadá e esta vivendo em altitudes de 1.400 metros na face leste das Montanhas Rochosas com duros invernos e poucos abrigos. Eles, também, vivem no Kenya, em uma fazenda a 1.800 metros de altitude em uma savana úmida, onde são usados para melhorar o gado nativo.

Esta raça antiga e bela mostrou ser um grande negócio, e mais valioso que isso, ele é mais apreciado por estrangeiros do que pelos criadores de seu próprio país, especialmente procurado para climas quentes. Centrado ao redor de Exmoor, ao norte de Devon, onde o clima é chuvoso e úmido, com invernos frios e rigorosos, este foi o ambiente dominante que a raça Devon proliferou por muitos séculos.

A raça Devon é possui a pele pigmentada de amarelo alaranjado, e a pigmentação escura nos olhos é um considerável recurso nos climas tropicais, na qual a pigmentação da pele também protege o úbere da perigosa radiação solar. A raça é muito resistente e as fêmeas não apresentam problemas de fertilidade ou parição. Suporta o frio e a umidade, mantendo-se bem nas pastagens fracas e fibrosas de seu habitat. Por isso, é muito apreciado pelos pequenos proprietários. O nome da raça indica sua procedência do oeste, mas a experiência demonstra cabalmente que pode ser ambientar em outras zonas, tanto no Reino Unido como em outros países. Durante os muitos anos de experiências nas quais os adeptos de outras raças visavam ao aumento do tamanho dos animais, a Devon se manteve como gado de porte médio e, agora, com a maior procura pelos animais de fácil adaptabilidade ao sistema de criação extensivo, começa a se espalhar por todo o país.

Criado de forma pura ou cruzada com outras raças, o Devon apresenta rápido apronte e excelente rendimento de carne. Sua capacidade de conversão alimentar e de produção de carne de qualidade estão entre as melhores do mundo, sendo suas características mais marcantes a rusticidade, fertilidade, habilidade materna, precocidade e docilidade, condições que transmite com eficiência nos sistemas de cruzamento. Os reprodutores se destacam pela rusticidade e eficiência. A alta capacidade de serviço aliada ao grande poder de conversão de pastos em carne de qualidade, confere a ele grande potencial para cruzamentos em qualquer região do Brasil.

As vacas são rústicas, prolíficas e dotadas de alta capacidade leiteira. Comparada às raças de corte, são tidas como de grande lactação. Em Controle Leiteiro, 61 vacas Devon obtiveram a expressiva média de 2.321 kg de leite com 4,16% de gordura, embora o gado Devon não seja explorado para produção leiteira. Há alguns decênios, o gado Devon era muito utilizado por sua capacidade de trabalho e conserva, por isso, até hoje, a mansidão. Responde muito bem a uma boa alimentação, e é muito utilizado em confinamento para produzir carne de primeira qualidade, bem marmorizada, de fibra fina e sabor especial nas peças menores. Os machos Devon em média pesam 800 - 900 kg, e as fêmeas pesam 500 - 550 kg.

O reprodutor Devon transmite;
- Fertilidade
- Capacidade leiteira
- Habilidade materna
- Longevidade
- Habilidade na conversão alimentar
- Docilidade
- Rusticidade (adaptação a qualquer clima e qualquer altitude)
- Conformação de carcaça.

Há um século atrás o Devon foi cuidadosamente cruzado com zebus indianos para contribuir para a formação de raças adaptadas ao clima tropical, raças como o Jamaica Red, Bravon, Makaweli e o Santa Gabriela, esta também sendo usado para melhorar algumas raças bovinas japonesas. Ultimamente este gado tem sido muito utilizado para cruzamentos com raças zebuínas, formação da raça sintética BRAVON, ou mesmo com as européias, apresentando bons resultados em ambos os casos. Isto vem ocorrendo tanto pela grande capacidade de ganho de peso dos touros, mesmo em condições de pastagens, quanto pela lactação das vacas, tidas como mães por excelência.

A raça Devon foi introduzida no Brasil em 1906, por Assis Brasil na região de Pedras Altas, RS, e depois em Alegrete e municípios vizinhos. Em 1914, o Visconde Ribeiro de Magalhães, de Bagé, RS, inscreveu o primeiro lote de reprodutores puros da raça, duas vacas e um touro, de procedência inglesa. O primeiro Devon nacional registrado foi "Bagé", de janeiro de 1915, também do Visconde. Existem Herdbooks da raça Devon no Reino Unido (1851), Austrália, Nova Zelândia, África do Sul, USA, Brasil entre outros.

Esta é mais uma raça que sempre admiramos e assim como o Aberdeen Angus, pretendemos manter um rebanho Puro de Origem. A aquisição das fêmeas esta sendo efetuada nos criadores tradicionais da raça, sendo que o nosso critério de seleção será a analise fenotípica dos ventres. Sêmen de touros ingleses esta sendo adquirido para manter o fenótipo dos produtos o mais próximo possível dos animais Devon encontrados na Inglaterra durante as décadas de 50 e 60.

Temos em nosso banco de sêmen doses dos touros:

- Bemerside Magnate, touro de origem inglesa nascido em 1976. Filho de Priorton Unapproachable 1 em vaca Uggaton Dorothy 41. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA-19.

- Brightler Cardinal 2, touro de origem inglesa nascido em 1970. Filho de Brightley Reflector 52 em vaca Brightley Cowslip. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA-11.

- GRO 615 Big George, touro de origem americana nascido em 1976. Filho de Devonacres Sunrise em vaca EF B 1366. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA-21.

- Clampit Diamond 2nd, touro de origem inglesa nascido em 1966. Filho de Whitefield Defendant em vaca Clampit Dainty 31. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA-12.

- Palmeira Noyl Boy 558, touro de origem nacional nascido em 1996. Filho de Palmeira Noyl Boy 140 em vaca Estrela Swallow 321. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob HBB. 37.893. Noyl Boy é um mix de sangues ingleses por Noyl Boy M78 (IA-26), Radworthy Swallow 135 e Fairnington Baron, em linhagem americana atravéz de GRO 315 Big George.

 

Hereford

A raça Hereford é originária do condado inglês de mesmo nome, localizado no centro oeste da Inglaterra. Apesar deste ambiente natural, de vales e planícies com solos férteis, a raça se encontra hoje difundida de forma tão ampla por todo o mundo, que resulta de todo impossível definir a topografia e tipos de solo que melhor se adaptam à raça.

O primitivo desenvolvimento da raça permanece pouco conhecido, provavelmente é relacionado aos vizinhos Gloucester, Welsh Black e a extinto Glamorgan do sul de Wales, bem como com origem semelhante ao gado Devon e Sussex do sudoeste da Inglaterra.

Baseando-se em dados escassos, conta-se que touros de origem Holandesa ou Flamenga trazidos de Dunquerque, Holanda, para o Lord Scudamore provavelmente conferiu ao Hereford seu tamanho e cor branca da cara e região abdominal. Indicando assim a analogia que existe entre o Hereford e a raça Groningen.

Groningen Whitehead

Um estudo recente efetuado pelo Departamento de Genética do Trinity College, de Dublin, Irlanda, com uso de marcadores genéticos para estudo do DNA verificou a distância genética de sete raças, entre as quais, Aberdeen Angus, Jersey, Hereford, Charolês, Holandês, Simental e N'Dama. Verificou-se que a raça Hereford tinha maior afinidade genética com a raça Holandesa, do que com as outras duas raças britânicas, mostrando, portanto que a raça Hereford tem um passado em comum com as raças desta região da Europa.

Sem sombra de dúvidas, esta raça bovina de cara branca é conhecida desde longa data na Inglaterra. O melhoramento moderno da raça começou com Benjamim Tomkins (1714-1789), e seu filho, continuador de sua obra, destacando-se como método seletivo à busca de precocidade de abate empregando consangüinidade estreita.


Cotmone 376


Cameroni

Os Tomkins, como a maior parte dos demais criadores de gado Hereford daquela época, não se interessavam em absoluto por características de pelagem, secundárias e menos importantes. No início do século XIX, ocorriam muitos padrões de pelagens, entre as quais animais vermelhos de cara branca, vermelha de cara salpicada, cinza clara e parda. Gradualmente, a pelagem “pampa” característica foi se impondo, sendo hoje considerada como “marca de pureza” da raça.

Desde tempos imemoráveis o gado de Herefordshire e outras comarcas adjacentes têm sido famosa por seu tamanho, resistência e aptidão carnica. Esta raça foi fundada a partir de um tipo que predominava em Hereford durante séculos. Já em 1627, mencionava-se a existência desta raça.


Merimen

Os fazendeiros de Herefordshire, Inglaterra, estavam determinados a produzir carne expandindo o mercado de comida criado pelos Britânicos na Revolução Industrial. Para o sucesso destes primeiros criadores eles tinham bovinos o qual poderiam converter a grama nativa em carne, e isto tudo em lucro. Nesta época, não existiam raças que fornecessem estas necessidades, tanto que os fazendeiros de Herefordshire, encontraram uma raça de carne que logicamente tornou-se conhecido como Herefords. Estes primeiros criadores de Hereford moldaram seu gado com a idéia em uma raça de alta produção de carne e eficiência produtiva, e firmaram as características que hoje são características da raça.

Independente de sua origem, a raça já se encontrava estabelecida em 1788, quando se escreveu que “a raça de Hereford era sem sombra de dúvidas a primeira raça das Ilhas Britânicas”. Conseqüentemente, é inquestionável que ainda se desconheça sua origem, a moderna raça Hereford descende de animais de mérito induvidável e com uma notável resistência a enfermidades.

Nos últimos 25 anos do século XVIII a face branca se tornou preferência no gado Hereford e quando Benjamin Tomkins, a qual havia herdado o rebanho de seu pai em 1769, comprou duas vacas, ambas com estas marcas. As vacas eram “Pigeon” e “Mottle”, alem delas, uma terceira chamada “Argent” são consideradas as fêmeas fundadoras da raça Hereford. Coincidentemente, “Mottle” significa mosqueado/ manchado e Argent sugere cinza ou prateado.

Benjamin Tomkins é creditado a ser o fundador da raça. Isto ocorreu 18 anos após Robert Bakewell haver iniciado o desenvolvimento de suas teorias sobre cruzamentos de animais. Desde o inicio, o Sr. Tomkins tinha como objetivo a economia na alimentação, a aptidão natural para crescer e ganhar peso seja usando pastos ou a partir de grãos, rusticidade, precocidade e prolificidade, características que ainda são de primeira importância hoje em dia. Outros criadores pioneiros seguiram a Tomkins, levando e estabelecendo o gado de Herefordshire renomado mundialmente, causando sua exportação desde a Inglaterra para onde cresce pasto e a produção de carne é possível.

Os Tomkins iniciaram um número considerável de cruzamentos usando da consangüinidade como ferramenta de seleção, devido ao fato de que eles mesmos criavam e utilizavam seus touros, sendo o único critério qualitativo que os guiava a rapidez de apronte e produção de carne.

O touro mais importante produzido por Tomkins foi “Silver Bull”, um neto da vaca “Silver”. Este touro tinha corpo vermelho e face branca. O gado de Benjamin Tomkins era conhecido ao fim do século XVIII por sua constituição pesada e coloração, com corpo vermelho ou rosilho e face branca ou mosqueada.


Silver

Como a maior parte dos demais criadores de Hereford daquela época não se interessavam por características de pelagem, que eram secundárias e menos importantes. Depois, quando estavam suficientemente estabelecidas as características funcionais, se estabeleceu uma controvérsia sobre o padrão de pelagem e marcas ideais que a raça deveria adotar como típica. No início do século XIX, se preferiam animais com quatro pelagens básicas; vermelha de cara branca, vermelha com cara salpicada, cinza clara e prateado.

Gradualmente os partidários das duas primeiras pelagens impulsionaram o uso destas sobre as outras duas, uma vez adotada esta combinação de cores, foi fixada por seleção e cruzamentos consangüíneos até que o vermelho e branco foi considerado como “marca de pureza” da raça Hereford.

O gado Hereford da Inglaterra do final de 1700 e inicio de 1800 era muito maior do que hoje. Muitos animais adultos daqueles dias pesavam 1.350 kg ou mais. Cotmore, um touro ganhador de várias exposições e notável padreador da época, pesou 1.960 kg quando foi exposto no Royal Show de 1839. Gradualmente, o tipo e a conformação mudaram para um peso e tamanho menos extremo para conseguir mais qualidade e eficiência. Esta mudança é vista quando se comprara o peso de “apenas” 1.300 kg do Campeão desta mesma mostra no ano de 1889.

Em 1876 o hereford Herdbook Society foi fundado e no ano de 1883 o herdbook foi fechado, exceto para os animais cujos pais já se encontravam inscritos.

Por mais de um século o Hereford foi a mais importante raça de carne da Inglaterra. A partir da década 20, o Hereford perdeu espaço para as raças continentais que produziam carne mais magra.

Ao inicio do século XIX os primeiros Herefords foram exportados para a América do Norte. Com o fim da Guerra Civil e oinicio da Revolução Industrial Americana e a expansão para o oeste americano o consumo de carne aumentou. Os rancheiros do oeste criavam até então o gado Longhorn local, originalmente trazido pelos conquistadores Espanhóis, e levaram para o oeste o gado Hereford. Estes animais tiveram a habilidade de sobreviver, proliferaram e foram levados por trilhas para serem abatidos nos mercados do leste americano. Isto tornou o Hereford um grande melhorador, eles sobreviveram às condições rudes dos ranchos e melhoraram a qualidade da carne do rebanho nativo, A demanda por touros Hereford teve um amplo aumento.

Para satisfazer o aumento do mercado de reprodutores, o qual eram necessários na região oeste, os criadores de Hereford aumentaram seus rebanhos e fizeram grandes importações de Herefordshire. Onde apenas 200 cabeças foram importadas em 1880, e mais de 3,500 cabeças de Hereford vieram importadas no período entre 1880-1889. A raça estava então amplamente distribuída por shows e exposições, recebendo grande aceitação entre os criadores dos Estados Unidos.

O Hereford revolucionou a produção de carne na América, pela sua maturidade precoce, conseguindo engordar mais cedo, produzindo um "baby beef". Outras características continuaram a ser importantes nos programas de seleção bovina, mas sem dúvida, o apronte precoce e as habilidades de engorde foram de primeira concessão, pois, o mercado pagava altos preços por bovinos que engordavam bem a pasto e preferiam animais que demonstrassem a habilidade de engordar em tenra idade.

Para conseguir esta precocidade, os criadores no fim da década de 30 e 40, selecionaram o gado Hereford para uma conformação corporal mais curta, baixa, ampla e profunda, produzindo animais próximos ao chão. O mercado mudou novamente por volta de 1960, causando uma penalização nos preços dos bovinos deste tipo compacto, e novamente houve discriminação para os tipos bovinos que não se enquadravam nas necessidades do mercado.

Após a 2ª Guerra Mundial e o inicio da década de 50, o tipo bovino compacto, pequeno e gordo continuou a ser favorecido nas pistas de julgamentos, mas o mercado de carne estava mudando sem avisar aos criadores, e o mercado comercial para carne gorda estava declinando, devido a mudanças de hábitos por parte dos consumidores que não queriam mais comprar excesso de gordura nos cortes das carnes bovinas. O resultado foi que o mercado passou a pagar menos pelo gado com gordura em excesso e um tipo diferente de bovino passou a ser preferido pela indústria de carne, um tipo magro, longilíneo e com mais carne vermelha.

Economia nos custos de produção requeridos para o engorde dos animais a um custo menor na conversão alimentar do pasto em músculo repleto de gordura, fizeram com que um tamanho maior e um estilo diferente de conformação na qual o tipo compacto foi abandonado por um animal maior e mais magro.

Acompanhando estes objetivos em um espaço de tempo curto, é um tributo aos dedicados criadores de Hereford, a ampla base genética da raça, e a habilidade dos criadores em utilizar modernas tecnologias em conjunto com aplicações práticas da arte de selecionar e criar.

Hoje em dia o tipo animal mediano que mantenha a precocidade sexual e de acabamento rápido com boa cobertura de gordura na carcaça é o que o mercado demanda. A raça Hereford mais uma vez se destaca por apresentar animais com tais qualidades fornecendo aos criadores comerciais touros que estão recuperando as características perdidas.

A pelagem da raça Hereford originalmente se caracterizava por ser vermelha de cara branca ou vermelha de cara salpicada,a pelagem "pampa" característica foi se impondo, sendo hoje considerada como "marca de pureza" da raça. A pelagem vermelha, com cara, ventre e extremidades da cauda e partes inferiores das patas totalmente branca, é chamada de "Pampa". A cara branca é dominante nos cruzamentos permanecendo nos mestiços por várias gerações.

Os criadores estão cada vez mais a procura de animais com pelagem vermelha ao redor dos olhos, que constitui defesa contra a exposição a forte luz solar, pois acredita-se que isso reduza a formação de vesículas e de câncer nos olhos.

O animal da raça Hereford é bem constituído, harmonioso e equilibrado, vigoroso e de bom tamanho, devendo-se evitar ambos os extremos.

Performance, praticidade e lucratividade combinadas tornam o gado de corte Hereford a raça mais abundante em diversas regiões do mundo, sendo amplamente reconhecida como a raça básica. Fertilidade, rusticidade, eficiência alimentar, longevidade e adaptabilidade são as características de corte básicas, que asseguram que o gado de cara branca continuará a desempenhar um papel de destaque na indústria de carne bovina.

Gado famoso por seu tamanho, resistência e aptidão para a produção de carne, devido a sua conformação e capacidade de engorda, é considerada razoavelmente rústica e prolífica. A produção de carne é a sua aptidão principal. O gado é resistente ao extremo em condições adversas, tanto ou mais que qualquer outra raça européia. São animais bastante eficientes em regime de pasto, apresentando neste contexto terminação adequada ao produzir carcaças de carne bem marmoreada, como o mercado exige.

Desde as mudanças ocorridas nos pequenos animais do século XIX que tinham frame baixo e apresentavam ate 15 cm de gordura de cobertura, seguidos pelos gigantes que se sucederam nas mostras de 1840 e 1850, o tipo animal atual é dito intermediário. As fêmeas medem em media 140 cm e pesam entre 500 e 800 kg, enquanto que os touros medem em media 152 cm, pesando entre 900 e 1.200 kg.

O Hereford é uma raça aspada e sua origem, animais mochos foram desenvolvidos inicialmente nos Estados Unidos e a partir destes enviados ao mundo todo. A variedade mocha apresenta o mesmo padrão racial do Hereford aspado. Salvo no que se refere aos chifres, pois não apresenta os mesmos, por isto a conformação da nuca deve ser proeminente e arredondada.

Esta falta de chifres é proveniente de dois tipos distintos de seleção. A primeira chamada “double standard” é devido a um gene recessivo. Os primeiros Polled Hereford foram desenvolvidos em Iowa por Warren Gammon em 1901, com o uso de 7 vacas e 4 touros, que foram procurados e comprados em todo território americano após o envio de cartas a mais de 2.500 criadores. A segunda forma de encontra para produzir animais mochos foi através de cruzamento com touros Red Angus, Red Poll e Polled Shorthorn com sucessivos cruzamentos para restaurar o padrão de pelagem da raça. Hoje ao redor de 85% da população Hereford mundial é mocha.

O Hereford foi introduzido no Brasil por influencia de seus vizinhos, a Argentina e o Uruguai, o Sr. Laurindo T. Brasil, de Bagé, RS, foi quem abriu o “Herd Book” desta raça, registrando, em 1907, um touro argentino do criatório de Celedoni Pereda. Logo em seguida, ainda no mesmo ano, o Dr. Plácido Martins, também de Bagé, inscreveu sob o número 2, um touro importado da Inglaterra. Os primeiros a possuírem ventres registrados foram os senhores Antônio Costa & Cia., de Bagé, inscrevendo, em 1910, 4 fêmeas importadas do Uruguai. O primeiro produto nacional registrado, “Lofty”, HBB 31, de 15 de novembro de 1910, importado no útero, também era de criação desta firma.

No que se refere ao Polled Hereford, a variedade mocha da raça, em 1928 foi importado um touro dos EUA, sendo registrado por seu proprietário, Sr. Félix Guerra, de Quarai, RS. Em 1934, o mesmo criador importou mais 2 touros e 2 vacas, da mesma procedência.

A raça Hereford esta amplamente difundida no mundo inteiro, sendo encontrada na Argentina, Uruguai, Brasil, Chile, Austrália, Canada, Estados Unidos, Dinamarca, Irlanda, Nova Zelândia, Portugal, África do Sul, Espanha, Suécia, Zâmbia e Zimbabwe.


Copyright: Hereford Breeders Society of UK


Hereford Mocho - Royal Show 2003 - Inglaterra.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Muitas raças compostas e sintéticas foram criadas ao redor do mundo. Nos Estados Unidos foram formados o American Breed (1/2 Brahman, 1/4 Charolês, 1\8 Bisão, 1/16 Hereford, 1/16 Shorthorn), o Barzona (25% Africânder, 25% Hereford, 20,8% Shorthorn, 16,7% Angus e 12,5% Brahman), o Beefalo (3/8 Bisão, 3/8 Charolês, 1/4 Hereford), o Beefmaker (50% Charolês, 50% Hereford, Aberdeen Angus e Shorthorn e alguma porcentagem de sangue Pardo Suíço e Brahman), o Beefmaster (50% Brahman, 25% Hereford e 25% Shorthorn), Braford (5/8 Hereford e 3/8 Brahman), o Charford (1/2 Charolês, 3/8 Hereford e 1/8 Brahman), o Hash Cross (Hereford, Aberdeen Angus, Shorthorn e Highland), o Regus (Red Angus X Hereford), o Simmalo (50% Simental, 25% Bisão e 25% Hereford), o Victoria (75% Hereford e 25% Brahman), o Vctoria (3/4 Hereford e 1/4 Brahman), o RX3 (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Red Holstein), Salerford (Hereford X Salers), Burwash (Hereford X Charolês), o Charford (1/2 Charolês, 3/8 Hereford e 1/8 Brahman), Chiford (Chianina e Hereford) e os comerciais Better Idea (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Pardo Suiço) e Watson (Hereford, raças leiteiras, Beefmaster, Red Angus, Red Holstein e Pardo Suíço), Beef Machine (Red Poll, Hereford, Pardo Suíço, Angus, Frísio e Simental) e Ranger.

No Canadá foram desenvolvidos o Hays Converter (50% Hereford, 25% Holandês e 25% Pardo Suíço), o Burwash (50% Charolês, 25% Hereford e 25% Shorthorn), o Fort Cross (50% Charolês, 25% Lincoln Red e 25% Hereford), o Pee Wee (Angus, Charolês, Galloway e Hereford).

Outro país com grandes rebanhos Hereford é a Austrália, onde existem o Simford (Hereford X Simental), o Wokalup (Brahman, Charolês, Frísio, Hereford, Angus), o Belmont Red (50% Africânder, 25% Hereford e 25% Shorthorn), o Sahford (Hereford X Sahiwal), Australian Beefmaker (75% Hereford e 25% Simental) e o sintético taurino resistente ao calor e carrapatos através de seleção de animais adaptados e cruzamento entre eles, o Belmont Adaptaur (50% Hereford e 50% Shorthorn).

Alem destes, existem raças compostas com Hereford na África do Sul, Bonsmara (5/8 Africânder, 3/16 Hereford e 3/16 Shorthorn), o Hereland (F1 Hereford X Highland) do Reino Unido, o Nuras (50% Africânder, 25% Hereford e 25% Simental) da Namíbia, o Philamin (1/2 Hereford, 3/8 Nelore e 1/8 Philipine nativo) das Filipinas e os russos Kazakh Whiteheaded (Hereford X Kazahk local) da Rússia, South Ukrainian (50% Charolês, 25% Hereford, 25% Red Steppe), Znamensk (62,5% Aberdeen Angus, 25% Charolês e 12,5% Simental Russo).


Hereford - África do Sul - década de 50


Hereford - África do Sul - década de 50

O Brasil formou o Santa Clara ou Pampiano, a qual é composto por 5/8 Hereford X 3/8 Tabapuã, os primeiros cruzamentos ocorreram na Fazenda Santa Clara, no município de Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul. Após a raça adotou o nome americano de Braford, pois segundo a American Braford Association, os animais brasileiros por apresentarem o mesmo grau de sangue que o Braford americano seriam a mesma raça. Como os americanos formaram o Braford anteriormente, em 1937, a designação racial era mais antiga naquele país, portanto o cruzamento gaúcho teria que adotar o nome.


Copyright: Hereford Breeders Society of UK


Copyright: Hereford Breeders Society of UK

Sêmen desta nobre raça inglesa está sendo adquirido com a mesma finalidade das outras raças. A manutenção de um rebanho Puro de Origem com excelente caracterização racial, buscando um padrão semelhante ao original da raça. Para isto, a Cabanha Santa Isabel adquiriu doses de sêmen dos touros;

- RWJ Rollo 0120 914 (Jonne's Rollo), touro de origem canadense nascido em 1968. Filho de RWJ Rollo Dom 0120 em vaca RWJ Miss Incom K2. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA - 15. Jonne's Rollo é mocho e apresenta frame medio a baixo, com muita cobertura de carne, ótima caracterização racial, excelente comprimento corporal..

- DH Happy Canadian 1, touro de origem canadense nascido em 1972. Filho de Happy Canadian em vaca DH Miss Rollette 3. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA - 127. Happy Canadian é mocho, apresenta frame medio a baixo, grande cobertura muscular e caracterização racial excelente.

- Free Town Vanguard, touro de origem inglesa nascido em 1963. Filho de Free Town Monarch em vaca Free Town Gaberdine. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA - 41. Vanguard é aspado e apresenta frame mediano com muita cobertura de carne e caracterização racial impecável.

- Crown Robert 2nd, touro de origem inglesa nascido em 1963. Filho de Phocle Adonis em vaca Crown Confort 4. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob IA - 25. Robert é aspado, apresenta frame mediano com boa cobertura de carne e caracterização racial excelentel.

- HR Robin Hood 52F, touro de origem americana nascido em 2001. Filho de CFR Robinson 359 em vaca HR Prophet 62C. Ainda aguarda número de IA na ANC Herdbook Collares. Robin Hood é aspado.

 

 

 

 

- Tala Big Sky 1942, touro "Polled" nascido no Brasil, com origem americana na linha paterna e uruguaia na linha materna, nascido em 1975. Filho de Big Sky Guy (IA-46) em vaca Tala Royalty 1213. Inscrito na ANC Herdbook Collares sob HBB. 149.108. Tala Big Sky é um mix de linha "new type" com frame alto e ossatura forte por Big Sky Guy em linha tradicional uruguaia de conformação carniceira e frame médio.

 

Fotos:
Arquivo particular Cabanha Santa Isabel
Livro: Two Hundred Years of British Farm Livestock - Hall & Clutton-Bock
Livro: Rural Portrait - Polly Pullar
Livro: Catlle Breeds: An Encyclopedia - Marleen Felius.
ABS Semen Company
Lagoa da Serra Inseminação Artificial
Australian Hereford Society

Ü Página inicial Þ