
A mescla de todos os tipos locais em uma
nova raça foi estimulada por dois grandes criadores, Hugh Watson
e William McCombie, selecionadores nos condados de Angus e
Aberdeen, respectivamente. A raça formada por eles e por seus
vizinhos originou o Aberdeen Angus. O moderno Aberdeen Angus é
um animal
altamente especializado na produção de carne cujos
ancestrais
podem ser traçados a varias linhagens mochas do século
XIX na
Escócia. Originalmente ambas linhagens, mochas e aspadas, eram
criadas em Aberdeenshire.
Dentre as raças aspadas que formaram a
raça são conhecidas o gado Brae ou Glen, a qual era
criado nas
partes mais altas de Aberdeenshire, estes animais eram de pequena
estatura e de coloração negra ou parda escura. O gado
Aberdeenshire
era
composto por bovinos de aspas longas, criados nas colinas do
condado. Estes bovinos tiveram influencia dos bovinos Teeswater,
que originou a raça Shorthorn, e o English Longhorn. Os melhores
animais absorvidos por cruzamento destas raças eram encontrados
em Fifeshire. Com o inicio do envio de gado para engorde na
região de Norfolk estes animais se tornaram muito populares,
porém, durante a segunda metade do século XVIII o gado
mocho
tomou seu lugar nestas tropeadas. Estes animais de pelagem negra,
parda ou brazina se assemelhavam aos bovinos West Highland,
porém de uma constituição mais pesada e mais
precoce. A raça
de Forfarshire, também um tipo de West Highland, foi absorvida
pelo tipo mocho após 1835. Estes animais tinham aspas curtas,
costelas profundas e pernas curtas, sendo a maioria de pelagem
negra, às vezes com pequenas manchas brancas na cabeça e
umbigo, animais brazinos, vermelhos, pardos e brancos eram vistos
algumas vezes.
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As linhagens ou raças mochas eram
compostas principalmente pelos Buchan Humlies e pelos Angus
Doddies. O Buchan Humlies eram representados por uma linhagen
separada do gado Aberdeenshire criada em Buchan. Eram animais
pequenos, de membros curtos, mochos ou de chifres curtos que eram
conhecidos por serem bons animais de carne e leite. A linhagem
Polled Aberdeenshire ou
Angus Doddies eram animais mochos, grandes e fortes, com peito
profundo e corpo longo, pernas fortes, mas com costelas estreitas
e quartos traseiros mal desenvolvidos. A coloração era
negra,
negra com algumas manchas brancas, vermelho escuro, amarelado,
pardo ou brazinos. Estes animais eram conhecidos por seu
temperamento calmo, eram menos rústicos que o gado Galloway,
sendo levados para os pastos no verão e mantidos estabulados por
seis meses de inverno. Durante a Revolução Industrial
estes
animais eram estabulados e engordados em confinamento para os
mercados de Edimburgo e Glasgow, também eram levados para ser
engordados para o mercado de Smithfield em Londres, para
abastecer a Marinha e o Exercito inglês.
Originalmente apresentava muitas cores,
porém, quando o comércio de gado entre Escócia e
Inglaterra se
tornou ativo no século XVIII, os animais de pelagem negra eram
preferidos pelos compradores. Em vista disso os criadores
passaram a selecionar seus animais por este padrão de pelagem. A
pelagem negra era creditada por ser mais rústica, conforme a
crença do povo Celta. Por muitas décadas os animais
vermelhos
foram desprezados e não inscritos no herd book inglês.
Recentemente espécimes de pelagem vermelha estão sendo
aceitos
pelo livro de registro.
De fato, o Red Angus ou a variedade de
pelagem vermelha do Aberdeen Angus, tem origem no atavismo de um
gene para a cor de pelagem, que a maioria das raças pretas
escocesas possui. E mesmo rebanhos que possuem exclusivamente
animais negros durante muitos anos, ocasionalmente ocorrem
animais de pelagem vermelha.
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Em 1523, onde eram numerosos rebanhos do
gado negro “Humel” ou “Humble” (a palavra
significa mocho), em Cutler, Condado de Aberdeenshire foram
mantidos em estado puro até então. Após 1760,
touros foram
trazidos da Inglaterra, Países Baixos e sul da Escócia
para
serem usados no melhoramento deles e alguns fazendeiros iniciaram
a seleção para certos padrões de pelagem. Os
fazendeiros de
Buchan preferiam animais negros ou negros com um pouco de branco
no úbere, o qual acreditavam ser um sinal de vacas boas
leiteiras.
No inicio do século XVII, quando a
Escócia foi anexada a Inglaterra, produziu-se um ativo
comércio
de gado entre os dois países. Os animais preferidos no sul da
ilha eram os pretos o que induziu os criadores a aumentar as
invernadas desses mochos, eliminando os animais aspados.
![]() Cupbearer |
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A nova raça teve o seu melhoramento no
inicio do século XIX, usando os métodos de Bakewell e
Collings,
mas a precocidade e o marmoreio da carne do rebanho escocês
não
necessitavam de melhoramento. Gradualmente o tipo se tornou
fixado como negro e mocho, embora o gene vermelho recessivo
permaneceu com a raça.
Os mais importantes criadores destes
bovinos durante os séculos XVIII e XIX foram William Fullerton,
Lord Panmure, Lord Southesk e Alexander Bowie. Touros do rebanho
Bowie da localidade de Kelly se tornaram os principais
reprodutores para a fundação da raça Aberdeen
Angus. Lord
Southesk era conhecido por ter um rebanho descendente do gado
mocho de pelagem cinza, a qual se acreditava ser originado dos
bovinos Holandeses. Os touros de Bowie foram usados sobre o
rebanho Southesk desenvolvendo os Aberdeen Angus iniciais.
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O mais importante fundador da raça
Aberdeen Angus foi Hugh Watson, cuja família iniciou a criar
Angus desde 1735. Watson iniciou seu rebanho em Keillor no ano de
1808, mantendo-o fechado por 50 anos. O touro mais importante de
Keillor foi “Old Jock”, e sua vaca mais famosa foi
“Old Granny”, a qual produziu 29 crias em seus 36 anos
de vida. Uma grande porcentagem do rebanho Angus pode ser
traçada a estes dois animais.
![]() Old Jock I |
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![]() Pride of The Tervie |
![]() Idelamere |
O touro “Black Prince of Tillyfour
77” poder ser chamado de pai do Aberdeen Angus moderno e
quase todos os animais da raça Aberdeen Angus tem este touro em
sua genealogia, ele foi criado por Willian McCombie, um dos mais
importantes criadores da raça no século XIX.
Um Herd Book foi estabelecido em 1862,
inicialmente incluindo o Galloway, e por volta de 1867 a raça
foi oficialmente reconhecida com o nome de Aberdeen Angus. Neste
ano um novilho Aberdeen Angus ganhou a “Silver Cup” em
Smithfield e a raça ganhou fama rapidamente, primeiro na
França
e durante os anos de 1870 na América do Norte, também na
Austrália e Nova Zelândia. De fato, a raça foi
exportada para
a Austrália por volta de 1820, mas não houve um completo
estabelecimento pelos 30 anos seguintes.
![]() Prince of Inca |
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Inicialmente era uma raça muito baixa, de
pernas curtas e corpo do tipo bloco. Porem o melhoramento
genético, ocasionou um aumento da altura, comprimento e tornou a
raça mais longilínea, especialmente nos últimos 30
anos nos
Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, através
de
cuidadoso processo de seleção. Mas isto hoje em dia esta
mudando novamente, com a procura de um animal mais equilibrado,
evitando os extremos de tamanhos.
O Aberdeen Angus se
destaca entre as raças taurinas, por reunir um grande
número de
características que lhe asseguram um excelente resultado
econômico como gado de corte.
Através de sua alta fertilidade, o gado
Angus proporciona aos seus criadores um maior rendimento, tanto
pelo número de terneiros produzidos, quanto pela quantidade de
quilos obtidos por hectare.
A raça Angus apresenta uma precocidade,
que, comparada com outras raças, sob as mesmas
condições
alimentares, atinge mais cedo a puberdade sexual, tanto em machos
como em fêmeas, além de atingir o ponto de abate mais
rápido.
A adaptação a condições ambientais
adversas seja em temperaturas extremadas, altas ou baixas, solo
seco ou alagadiço, campos altos ou abrigados, pastagens ricas ou
pobres são inerentes à raça. Mesmo em
situações adversas, as
fêmeas produzem terneiros e os amamentam adequadamente, nem que
para isto tenham que sacrificar parte de sua “gordura
marmoreada”.
A raça é prepotente em cruzamentos com
quase 100% da progênie nascendo com a pelagem negra ou vermelha
e o caráter mocho. Os touros são ideais para ser
acasalados com
fêmeas de primeira cria, devido ao baixo peso ao nascer, gerando
terneiros médios. A vaca Angus tem reduzido desgaste na
parição diminuindo o intervalo entre partos.
A facilidade de parto da raça é renomada
mundialmente, sendo esta uma característica que recebe alta
prioridade em programas de seleção da raça. O
criador de
Aberdeen Angus da África do Sul tem um ditado que traduz bem
isto; “Você pode dormir em paz, enquanto seus terneiros
Angus estão nascendo”. A habilidade materna, é
outra
característica
reconhecida
mundialmente.
O fator mocho, esta recebendo grande
importância por parte dos criadores, onde o tempo e o trabalho
não são facilmente disponíveis. As taxas de
terneiros mochos
filhos de touros Angus em vacas cruzas, é altíssima, pois
o
caráter mocho é dominante sobre o caráter aspado.
Devido a sua sólida pigmentação nos
olhos, não ocorrem problemas com câncer de olhos ou outras
doenças relacionadas aos olhos. Em regiões onde ocorre
neve,
Canada, Estados Unidos, Suécia, Alemanha, não ocorrem
problemas
com o úbere das vacas, devido à alta
pigmentação destes.
Esta é uma das raças o qual produz
possivelmente a melhor carne do mundo, levemente marmoreada,
suculenta e tenra. Este é um dos atributos excepcionais da
raça
e que lhe garante uma posição de liderança. A alta
qualidade
de sua carne é evidenciada através da opinião de
autoridades
do setor, e confirmada nos mais diferentes concursos realizados
nos principais mercados produtores.
A perfeita e uniforme distribuição da
gordura no tecido muscular lhe confere um aspecto muito atraente,
carne marmoreada, e sabor singular. A importância dessa
distribuição é exaltada quando da sua
preparação: a gordura
se derrete parcialmente pela ação do calor e impregna a
parte
magra, melhorando apreciavelmente seu valor, tornado-a tenra e
apetecível.
O primeiro reprodutor
Aberdeen Angus a entrar no Brasil foi o touro
“Menelik”, em setembro de 1906, vindo do Uruguai e
importado por Leonardo Collares Sobº, de Bagé, RS. Em
março de
1914, o Visconde Ribeiro de Magalhães registrou 5 matrizes
vindas da Inglaterra, registrando também o primeiro produto
nacional, “São Paulo” HBB 9, importado no
útero.
É uma raça muito popular, e foi exportada
para muitos países. Na Argentina o Herd Book foi aberto no ano
de 1879 e associação de raça em 1927. No
Canadá o Herd Book
foi aberto em 1885 e associação de raça em 1906.
Países como
Grécia, Finlândia, Alemanha. México, Japão,
África do Sul,
Namíbia, Paraguai, Irlanda, Nova Zelândia e Zimbabwe tem
Livros
de registro e associações de raça instalados.
No continente africano, a demanda por
touros a serem exportados para Botswana, Namíbia e
regiões do
Oeste e Leste Transvaal na África do Sul, tem aumentado
substancialmente em recentes anos.
Vários outros países também receberam
bem a raça, incluindo vários na América do Sul se
tornou a
primeira raça exótica a ser importada para o
Japão. No Reino
Unido, a raça fornece 20% dos touros terminais para a industria
de carne inglesa. È uma das raças de corte mais criadas
na
Argentina, Brasil, Uruguai, Austrália e África do Sul,
nos
Estados Unidos é a primeira raça de corte em registros,
tendo
hoje o dobro do número de registros da segunda raça, o
Hereford.
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O Aberdeen Angus “new type”, tem
sido re-importado dos Estados Unidos, Nova Zelândia e
Austrália
por alguns criadores britânicos para melhorar os pesos de
carcaça no Reino Unido, combinando assim o aumento de tamanho e
potencial de crescimento com a tradicional qualidade de carne
escocesa.
Raça de tamanho mediano, sendo que os
animais de genética americana e canadense possuem frame maior.
Atualmente a Argentina está direcionando sua
seleção para um
animal mais compacto, com frame menor, portanto com maior
precocidade de terminação e acabamento de carcaça
mais
rápido.

Atualmente a raça
apresenta peso adulto entre 850 e 1.100 kg para os machos e 500 e
650 kg para as fêmeas. As fêmeas mediam em media 110 cm por
volta de 1960, hoje com a grande difusão de animais americanos e
canadenses as vacas medem ao redor de 125 a 127 cm, enquanto que
os touros medem entre 135 e 140 cm.
Hoje a pelagem vermelha está sendo muito
procurada e animais vermelhos são muitas vezes preferidos aos de
pelagem negra. Embora os animais negros possuam uma maior base
genética e muitas vezes sejam superiores em fenótipo.
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Em muitos países o Aberdeen Angus tem sido usada para formar novas raças sintéticas. Nos Estados Unidos entrou na formação do Amerifax (5/8 Angus e 3/8 Frísio) em 1971, do Barzona (25% Africander, 25% Hereford, 20,8% Shorthorn, 16,7% Angus e 12,5% Zebu), Brangus (3/8 Brahman e 5/8 Angus), Hash Cross (Hereford, Angus, Shorthorn e Scottish Highland), Holgus (Holandês X Angus), Regus (Red Angus X Hereford), Okie (Touros Angus ou Shorthorn X vacas Jersey ou Guernsey), RX3 (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Red Holstein), Chiangus (Chianina X Angus), Africangbus (30% Africander X 70% Angus) e os comerciais Better Idea (50% Red Angus, 25% Hereford e 25% Pardo Suiço) e Watson (Hereford, raças leiteiras, Beefmaster, Red Angus, Red Holstein e Pardo Suíço).
No Canadá foram desenvolvidos os híbridos Beef Synthetic (37% Angus, 34% Charolês, 21% Galloway, 5% Pardo Suíço e 3% outras raças) e o Pee Wee (Angus, Charolês, Galloway e Hereford) na Universidade de Alberta.
![]() Aberdeen Angus - África do Sul - Década de 50 |
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Na Alemanha existe o German Angus ou Angus
Alemão, na Jamaica o Jamaica Black (1/4 a 3/8 Zebu e 3/4 a 5/8
Angus). No Japão o Japanese Poll (Wagyu X Angus) e o Japanese
Black. Na Austrália o Murray Grey (vaca Shorthorn branco X
touros Aberdeen Angus) e o Wokalup (Brahman, Charolês,
Holandês
Frísio, Hereford, Angus) do oeste Australiano. Na Ucrânia
foram
desenvolvidos os compostos Volynsk (1/4 Aberdeen Angus, 1/4
Limousin, 1/4 Hereford e 1/4 Russian Black Pied) e Znamensk
(62,5% Aberdeen Angus, 25% Charolês e 12,5% Simental Russo). O
Azerbaijão formou o Azangus através do cruzamento de
touros
Aberdeen Angus com vacas zebuínas locais.
No Brasil existe o Ibagé, formado na
estação Cinco Cruzes da Embrapa em Bagé, RS, o
qual possui 5/8
de sangue Aberdeen Angus e 3/8 de sangue zebu.
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Fotos:
Arquivo particular Cabanha Santa Isabel
Livro: Two Hundred Years of British Farm Livestock - Hall &
Clutton-Bock
Livro: Rural Portrait - Polly Pullar
Livro: Catlle Breeds: An Encyclopedia - Marleen Felius.