Situação da raça Lincoln Red em nosso país.

Hoje, no Brasil, podemos afirmar que 98% do rebanho Shorthorn tem algum grau de sangue Lincoln Red. Vários touros foram amplamente utilizados em nosso rebanho.

Touros importados como Anwick Isidore (295 filhos), Walmer Trafalgar (183 filhos), Walmer Zook (87 filhos), e usados em inseminação como Acthorpe Pegasus (179 filhos), Hemingby Jain (112 filhos), Donington Trooper (48 filhos), Walmer Zoop (48 filhos), Moncur Juvex (53 filhos), porém muitos destes filhos de Lincoln Red, foram extremamente usados, deixando um grande número de touros e vacas no plantel brasileiro.

Citamos os touros, Leave Trasumante 168, por ST Fort Upstart (485 filhos), Inca Union 2, por Cockerington Union (297 filhos), Rincão Alegre Anwick Isidore, por Anwick Isidore (136 filhos), Rincão Alegre Inca Union 888, por Inca Union 2 (94 filhos), Quero-Quero Zook 230, por Walmer Zook (54 filhos) e Rincão Alegre Anwick Isidore 655, por Anwick Isidore (51 filhos), e muitos destes touros ainda são usados em inseminação, assim como seus descendentes.

Mas, ao contrario do que ocorreu no Shorthorn, a raça Lincoln Red em estado de pureza racial teve pouca disseminação e, no ano de 1985, quando foi vetado o uso de genética Lincoln Red no registro genealógico do Shorthorn, a raça perdeu o interesse por parte dos criadores e os animais puros foram na maioria descartados ou absorvidos pelo Shorthorn.

Isto ocasionou uma enorme queda nos números de registro e muitos rebanhos puros desapareceram, permanecendo apenas dois rebanhos até o ano de 1994. Á partir de 1995, apenas um criador mantinha um pequeno plantel de fêmeas Lincoln Red registradas, embora um outro rebanho existisse com animais não registrados. Desde então os registros da raça vêm se mantendo em um nível de “sobrevivência”.

Para agravar a situação, a mais de 18 anos não existe disponibilidade de sêmen no mercado para os criadores de Lincoln Red usar como refrescamento de sangue, e os níveis de consangüinidade estão crescentes. Atualmente a média de inbreeding na raça é de 4,45%, mas se formos verificar o inbreeding médio apenas dos animais vivos, esta média sobe para perigosos 17,98%.

Como havíamos descrito havia apenas um criador com animais puros, mantendo o registro genealógico funcionando, este único criador, nos doou uma novilha de 1 ano de idade, hoje já vaca adulta. Portanto existem dois criadores de Lincoln Red no Brasil.

Este animal doado, devido ao fato de ter ocorrido uma doação de nove doses de sêmen do touro Anwick Isidore, touro este que descobrimos no estoque de doses com um antigo criador que importou o animal desde a Inglaterra na década de 70. Mantivemos algumas doses de reserva, as quais serão usadas para a manutenção de nosso plantel.

A procura por sêmen de Lincoln Red é continua e, recentemente, ao conversar com um representante de uma grande companhia de sêmen, descobrimos mais algumas doses remanescentes. Estas doses são de um touro chamado Walmer Zack, Adquirimos então as últimas 40 doses existentes no Brasil. Mantivemos 20 doses em nosso banco de sêmen e as outras foram enviadas ao outro criador.

Sêmen de outro touro foi descoberto após alguns meses, adquirindo assim doses de Firsby Trooper, o qual foi propriedade do Dr. Paulo Brossard de Souza Pinto. Portanto possuímos hoje, sêmen de 3 touros para trabalhar e assim, evitar a extinção do Lincoln Red pelos próximos 10 anos.

Porém, estas doses ainda são insuficientes para poder manter a raça preservada e com saúde genética suficiente para possibilitar a seleção e melhoramento. Com o final do embargo ao Reino Unido teremos novas opções genéticas estão se proporcionando, além de ser uma genética diferenciada que irá minimizar os problemas decorrentes da consangüinidade, ainda teremos acesso a todo o melhoramento que a raça sofreu na Inglaterra nestes 30 anos que nos separam da última importação de animais Lincoln Red.

Touros com genética diferenciada foram encontrados nos Estados Unidos, estamos averiguando a possibilidade e custos para coleta, transporte e uma possível importação de animais.

Acreditamos que o Lincoln Red tenha um mercado promissor no Brasil, devido as suas qualidades de carne, precocidade, fertilidade, ganho de peso e habilidade leiteira. Além de sua pelagem vermelha escura, muito desejada hoje em dia pelos criadores comerciais de gado de corte no Brasil. Porém é necessário aumentar o número de animais no rebanho brasileiro afim de que os criadores possam conhecer a raça e optar por usar touros Lincoln em cruzamentos.

O criador de Lincoln Red que detêm o resto do rebanho brasileiro, tem uma propriedade na região centro oeste do Brasil, onde o clima é muito quente. Aqui em nossa região, perto do paralelo 33º, o clima é mais frio, com temperaturas médias de inverno por volta dos 10ºC e no verão não passando dos 28-30ºC, com os dias mais quentes chegando a 33ºC. Porém, na região centro oeste, onde apenas o gado zebu se adapta plenamente, foram introduzidos alguns touros e ventres Lincoln Red, ainda não se possuem resultados exatos sobre a adaptação da raça. Porém, através de conversa informal sabemos que os animais se adaptaram muito bem ao clima quente e seco do centro oeste. Perderam o pêlo excessivo, ficando com uma pelagem bem fina e, os resultados em cruzamento com o Nelore foram excelentes.

Na Argentina, onde o Lincoln Red foi também amplamente usado sobre o Shorthorn, não se tem conhecimento da existência de animais puros e, no Uruguai, o mesmo ocorre. Porém sabemos que as beneficies do ganho de peso e cobertura de carne ainda é usada na Argentina, pois nos últimos anos os principais prêmios da Exposição de Palermo em Buenos Aires são anualmente ganha por animais meio sangue ou ¼ de sangue Lincoln Red.

Hoje, o Lincoln Red tem apenas 210 animais registrados no Herd Book brasileiro desde a sua abertura, sendo que no último ano foram registrados apenas 5 animais, de um único criador.

Esperamos que os criadores de Lincoln Red possam ter tido oportunidade de mostrar mais a raça aqui no Brasil. Pois será uma lástima que tão bela e promissora raça esteja tão próxima de desaparecer em nosso país, lugar este que tem enorme mercado para absorver qualquer raça que seja introduzida e sem duvida o Lincoln Red iria dar grande contribuição para a industria de carne do Brasil.

Por enquanto, estamos tentando trabalhar para evitar o desaparecimento da raça e obter linhagens suficientes para evitar o aumento de inbreeding além de abrir novas linhagens. O trabalho é duro, despende dinheiro e para dificultar não temos opções de sêmen no Brasil, necessitando arrumar reprodutores em outros países, mas para apenas 2 criadores com pouquíssimos animais, importar grandes quantidades de sêmen é muito difícil.

Temos notícia de que existem algum sêmen de 4 ou 5 reprodutores com um criador na cidade de Bagé, se a aquisição destas doses se concretizar, temos certeza de que o futuro da raça estará assegurado na América do Sul. Os touros que possivelmente iremos adquirir são Tattershall Esquire 2, Acthorpe Pegasus, Hemingby Jain e Moncur Jovex.

Todos estes reprodutores apresentam genealogia diferenciada dos animais hoje existentes no rebanho brasileiro. Com certeza iremos ter material genético de grande qualidade para aprimorar o Lincoln Red e acima de tudo seremos uma nova opção genética para os países que preservam a raça Lincoln Red, pois nossos animais serão todos de linhagem tradicional inglesa sem nenhuma infusão de sangue de raças continentais.

Engº Agrº Jean Pierre Martins Machado
Vice-Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Shorthorn e Lincoln Red
(53) 8406 2278

"Publicado em 24 de julho de 2007".

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