O Shorthorn Branco

É notória a pouca preferência, ou melhor, dizendo, a negativa de nossos criadores em aceitar um touro branco para padrear seus planteis ou rodeios comerciais.

Embora os estudos genéticos de DNA estejam muito adiantados, não existe até o presente, uma razão técnica que comprove o malefício de se usar um touro Shorthorn de pelagem branca, com superior qualidade em um plantel. Muitos são os exemplos que poderiam ser citados, do uso de um touro branco que produziu progênie de excelente qualidade e, que quase todos são de pelagem vermelha ou rosilha

Um Shorthorn branco, não significa um animal isento de qualidade e de boas condições para reprodução, ao contrário, um touro branco tem superado em mais de uma vez, tanto por seus méritos individuais, como por sua progênie a touros colorados ou rosilhos considerados de excelente qualidade.

Isto se comprova pelas observações efetuadas no rebanho Weebollabolla situado em New South Wales, Australia. Onde existe um rebanho Shorthorn desde 1870, o qual é criado extensivamente com o cuidado de produzir um rebanho padronizado e acima de tudo produtivo naquela duras condições. R.F. Munro adicionou ao rebanho uma pelagem fina e melhorou as cores de pelagens, acreditando que um bom animal Shorthorn nunca se distanciava mais que umas poucas gerações de um animal de pelagem branca.

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Então, porque esta tendência de se descartar reprodutores brancos?

O colorado, o rosilho, o vermelho e branco e o branco, sempre foram as cores distintas da raça Shorthorn, e assim, um touro de qualidade e mérito individual pode possuir indistintamente qualquer uma destas pelagens, sem que um touro colorado ou rosilho prevaleça sobre um animal branco, somente pela coloração de sua pelagem. No entanto, diremos que, ao contrário com o que ocorre com um touro branco, animal colorado e rosilho produzem com relativa freqüência indivíduos brancos. Além do mais, o freqüente uso de animais americanos com ancestrais Holandeses, Maine Anjou e Ayrshires, têm ocasionado o aparecimento de manchas brancas de grande tamanho, tem ocasionado uma descaracterização do padrão de pelagem da raça.

Não possui, portanto, explicação, a crença errônea de que um touro branco diminui as qualidades de um rebanho, e não existe razão para pensar dessa forma, desde que as leis zootécnicas, no que se refere à qualidade dos reprodutores não esta associado de forma alguma à coloração de sua pelagem. O uso de um touro branco não é sinônimo de retrocesso.

È uma tendência cada vez mais marcada nas últimas décadas e, em especial nos últimos anos, onde tem tornado um caráter alarmante, a preferência quase que absoluta por reprodutores colorados ou com predominância de colorado, em detrimento das outras pelagens, em especial o branco.

Aqui estão alguns motivos pelo qual não devemos recorrer neste erro;

1º - Valorizar excessivamente os reprodutores de pelagem colorada. Tem por efeito, prejudicar aos compradores, sem beneficio algum aos cabanheiros que não recebem compensação pela perda.

2º - Pagar por um animal colorado, preço maior do que se pagaria por um reprodutor de outra pelagem e de melhor qualidade. Isto indica que o comprador perde no melhoramento da qualidade de seus rodeios, embora tenha pagado mais e o cabanheiro não recebe benefícios, pois deixou em seu estabelecimento animais que poderiam ser uma promessa sem lhes oferecer verdadeiras condições para poder demonstrar todo seu mérito genético.

3º - Reduzir o número de reprodutores que são oferecidos à venda, devido à eliminação de outras cores. Isto irá aumentar o custo de produção de reprodutores que são preferidos, prejudicando aos compradores pelo maior preço a ser pago.

4º - Diminuir a variabilidade genética de seu rebanho e da raça como um todo, pois com o advento da inseminação e transferência de embriões, apenas animais tidos como melhoradores e que tenham pelagem colorada, serão usados maciçamente.

5º - Ficar a mercê das flutuações do mercado, onde hoje, a pelagem colorada é preferida. Isto ocasionará a mudança da pelagem de todo o rebanho para o pêlo preferido, com a diminuição ou desaparecimento de outras variâncias de pêlos. Porém, quando novamente o mercado exigir outro pêlo, que não o colorado, terá de descartar novamente suas fêmeas, ocasionando a perda de material genético valioso.

Quanto a pouca ou nenhuma preferência por animais de pelagem branca, estudos têm demonstrado que animais Shorthorn brancos apresentam melhor qualidade de carne.

Sabemos ou ao menos deveríamos saber que as qualidades de carne em umas raças ou suas características funcionais não são afetadas pela coloração de pelagem que o recobre.

Se a raça Shorthorn é precoce, fértil, excelente mãe, boa produtora de leite, apresenta carne macia e marmoreada, assim o será apresenta o animal indiferente de ter pelagem vermelha, rosilha ou branca.

Engº Agrº Jean Pierre Martins Machado
Vice-Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Shorthorn e Lincoln Red
(53) 8406 2278

"Publicado em 24 de julho de 2007".

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