O Shorthorn ao redor do mundo

As qualidades da raça Shorthorn têm sido apreciadas por todo o mundo, e tem sido usada extensivamente na criação de novas raças ou melhorando raças já existentes e tipos nativos.

A raça tem provado sua adaptabilidade em uma ampla variedade de ambientes e climas, estando aptos a tolerar o calor e o frio e uma alta quantidade de doenças e enfermidades.

Não é à toa que o Shorthorn é conhecido como "A raça mãe", pois se acredita que depois da raça Holandesa, o Shorthorn é a raça mais cosmopolita do mundo, sendo encontrada no Canadá, África do Sul, Estados Unidos, Uruguai, Argentina, Reino Unido, Alemanha, Suécia, Quênia entre muitos outros variados ambientes.

INGLATERRA - A Inglaterra é o berço da raça e, durante o século XIX o Shorthorn tornou-se a raça mais popular da Inglaterra e teve esmagadora dominância no rebanho nacional inglês. Em 1916 o registro incluía mais de uma dúzia de tipos identificados, e a raça espalhou-se para a Escócia, Irlanda, América do Norte, Austrália e todo continente europeu. A França importou consideráveis números entre 1850 e 1860 e tornou-se uma útil reserva de linhagens as quais estavam extintas na Inglaterra.

ANIMAIS DA TOFTS STUD - JUNHO 2010 - KELSO - ESCOCIA

Nos tempos da 1ª Guerra Mundial, o Shorthorn foi descrito como a raça bovina mais amplamente distribuída, tanto na sua origem como no exterior, e excedia outras raças puras na Bretanha enquanto que a maioria dos cruzamentos comerciais tinham sangue Shorthorn. Em adição, a raça foi amplamente exportada e teve importante papel na formação ou melhoramento de muitas outras raças, sua influência foi provavelmente a maior entre todas as raças, exceto talvez pelo Frísio, e sua adaptabilidade é legendária.


Glenisla Estate - Blairgowrie - Escócia - Julho 2003.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Galashiels - Escócia - Julho 2003.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Glenisla Estate - Blairgowrie - Escócia - Julho 2003.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Glenisla Estate - Blairgowrie - Escócia - Julho 2003.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Contudo, os números de Shorthorn puro na Grã Bretanha caíram fortemente neste século, particularmente nos últimos 30 ou 40 anos, de por volta 25.000 animais em 1950 a não mais de 3.000 em 1980. Nos últimos anos, os criadores ingleses e escoceses tem cruzados seus rebanhos com animais Maine Anjou, pois necessitavam aumentar o tamanho de seus animais. Os criadores ingleses preferiram cruzar seus animais com Maine Anjou, em detrimento de usar o Shorthorn Irlandês ou o Shorthorn de duplo propósito que tinham a disposição em seu país.

ARGENTINA - Entre 1823 e 1826 um touro Shorthorn, Tarquino ou Tarquim, foi exportado para Buenos Aires, iniciando uma longa história da influência do Shorthorn na produção de carne da América do Sul. O introdutor destes animais foi o senhor John Miller, com finalidade de cruzar os animais crioulos da Estância Caledonia, em Cañuelas.


Leave Tina X835
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Leave Yasir X846
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Copyright: Jean Pierre Martins Machado 

Os primeiros criadores, em sua maioria, adquiriam fêmeas "Tarquinas" na Estância Caledonia e importavam touros da Inglaterra para cruzar com estas. Infelizmente muitos dos pedigrees destes animais foram perdidos ou não foram documentados. Posteriormente, as importações da Inglaterra e Escócia, eram feitas regularmente em grande quantidade.

Muitas foram as cabanhas famosas que iniciaram a criar a raça Shorthorn, e muitas destas enviaram animais registrados que foram a base dos rebanhos brasileiros. O Shorthorn foi a raça mais importante na Argentina durante várias décadas e, as exportações de carne deste país se baseavam na raça Shorthorn.


Copyright: Senasa

O Herd Book Argentino foi fundado em 1886, e o primeiro volume do Herd Book Argentino foi publicado em 1889. A partir de 1975, o livro de registro foi aberto à raça Lincoln Red, como ocorreu no Brasil e Uruguai. Em 1921, foi fundada a Associação Argentina de Criadores de Shorthorn. O primeiro animal a ser inscrito no Herd Book Argentino foi o touro Baron Oxford Blanche, um animal colorado e pouco branco, nascido em 28 de setembro de 1884, diretamente da Inglaterra e cujo número no Coate's Herd Book era 50.832.


Leave Trasumante 168 X.
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Mearns Estrellita 560
Copyright: Jean Pierre Martins Machado

Ainda hoje, a influência da genética argentina é vista em muitos rebanhos. A última importação de animais argentinos que se tem conhecimento ocorreu no ano de 1987, com três touros, Leave Trasumante 168; Inca Orange Blossom Tribune e Cerro Negro X875 Clark 7 e mais duas fêmeas; Leave Gilliver 153 e Leave Orange Blossom 171. Leave Trasumante 168 é o touro que tem mais filhos inscritos no Herd Book brasileiro, com mais de 485 animais inscritos e, a vaca Leave Gilliver 153, deixou 8 filhos inscritos no Herd Book brasileiro.

URUGUAI - Os primeiros animais foram importados diretamente da Inglaterra no ano de 1859. Foram trazidos dois touros e duas vaquilhonas para os Irmãos Hughes, porém, sabe-se que antes desta data se haviam feito importações da Argentina. O primeiro criador a inscrever animais puros de pedigree no Uruguai, foi o senhor Leoncio Correa proprietário da Cabanha El Tigre no Departamento de San José, em 12 de outubro de 1887, com dois touros importados da França, Clos-Ry-White Poppy (H.B.F. 16.446), um rosilho nascido em 5 de maio de 1886 e, Capitaine Adelaide (H.B.F. 16.434), um colorado e branco nascido em 10 de maio de 1886.


Copyright: Walter Mario Damboriarena
Copyright: Walter Mario Damboriarena

Laureano Mave Song 463
Copyright: Walter Mario Damboriarena

Laureano Veleta 458
Copyright: Walter Mario Damboriarena

A raça perdeu espaço para o Hereford e Aberdeen Angus, mas ainda figura entre as mais importantes no país vizinho. As importações para o Brasil não ocorreu a algum tempo, mas sabe-se que a genética uruguaia se faz fortemente presente em nosso alguns rebanhos de fronteira.

Acredita-se que aproximadamente 25 a 30 criadores estejam registrando no Herd Book Uruguaio.

AUSTRÁLIA - O Shorthorn teve um importante papel na indústria bovina australiana desde 1799. Eles foram a primeira raça pura conhecida a ser importada para a Austrália e subseqüentemente providenciou a base para o desenvolvimento da industria de carne. A competição de novas raças desviou a atenção do Shorthorn por um grande número de anos, mas a raça está hoje retornando com força total. Nos últimos 10 anos, a raça tem surgido novamente e, tem tido muito sucesso em competições de carcaças, em confinamentos e competições inter-raciais e vendas. A demanda por genética Shorthorn de qualidade teve um aumento dramático com a demanda excedendo a oferta na maioria das vezes.

O correto valor de lucro em uma empresa de carne poderia ser sempre baseado em área e não em cabeças. Atingir um mercado com umas poucas cabeças pode ser romântico em alguns tempos, mas lucro é o resultado de conseguir colocar todos os seus animais no mercado com o peso e terminação que o mercado exige, além de fazê-lo com um custo mínimo de produção. A raça Shorthorn está bem colocada na Austrália por melhorar esta lucratividade no setor produtivo da carne, possuindo atributos como;

- Forte características maternas

- Versatilidade de terminação

- Alta fertilidade

- Carcaça mais musculosa e magra

- Facilidade de parto

- Adaptabilidade

- Alta habilidade leiteira

- Ausência de câncer de olhos

- Eficiente produção à pasto

- Longevidade

- Competitiva taxa de crescimento

- Facilidade de manejo

É interessante notar que a maioria dos grandes produtores de lã e os maiores produtores de grãos também tem uma forte admiração pela raça Shorthorn. Os cuidados mínimos exigidos pela raça, bem como a sua flexibilidade em se ajustar a outros tipos de empreendimentos.


Copyright: Spry's Shorthorn Stud

Copyright: Dunbeacon Shorthorn Stud

Em recentes anos a genética Norte Americana tem sido misturada com muitas linhagens australianas para produzir o Shorthorn "New type". O novo visual da raça Shorthorn possui um frame grande, substancialmente mais musculoso e competitivo em taxa de crescimento. Os criadores notaram rapidamente a mudança nas áreas onde foi melhorada a musculosidade e uma uniforme distribuição da camada de gordura os quais combinados tem provido uma carcaça melhorada e muito aceitada pelo mercado.

A raça tem se sobressaído em inúmeras competições de carcaças através do país e estão dispersando totalmente aquela imagem de uma carcaça com excesso de gordura.

O Shorthorn oferece ao produtor de carne muitas opções em termos de acabamento de carcaça e habilidade para satisfazer a diferentes mercados consumidores. Esta versatilidade colocada o Shorthorn em melhor posição quando em relação a outras raças no tocante a vantagens referentes às incertezas econômicas, mercados flutuantes e mudanças das necessidades dos consumidores.

Os novilhos Shorthorn tem a habilidade de combinar boa musculatura e adequada cobertura de gordura em idade precoce. Se as condições de mercado e os preços ditarem outros caminhos, a raça também tem o tamanho (frame) e um padrão de crescimento que o colocam em vantagem frente aos mercados da EU, a qualidade de marmoreio e características de carcaça mostrada pela raça são requisitos básicos desejados pelo lucrativo e exigente mercado japonês.

A aceitação do Shorthorn como a raça de corte "predileta" para exportação ao mercado japonês, devido a combinação de bom marmoreio, carcaças de alta qualidade, taxas de crescimento desejáveis e correta estrutura tem colocado a raça em uma invejável posição. os maiores "feedlots" por toda a Austrália buscam ativamente por novilhos Shorthorn, muitos destes pagando preços extras para poderem possuí-los.

A raça Shorthorn com sua propensão natural a depositar gordura intramuscular, estão muito bem afamados e bem cotados para satisfazer a demanda por uma carne de melhor qualidade. Os resultados em provas demonstrativas e de carcaça aliados a forte demanda comercial pela indústria frigorífica Australiana focalizando os aspectos da qualidade da carne do Shorthorn, que fornece uma carcaça comercialmente aceitável pelo mercado consumidor.

O temperamento, fertilidade, facilidade de parto e habilidade leiteira, caracterizam o Shorthorn como uma raça maternal, capaz de reproduzir eficientemente sobre a maioria dos ambientes australianos. A demanda é grande e contínua por fêmeas, tanto para animais puros como cruzados. As características maternas do Shorthorn são muito atrativas aos criadores comerciais que procuram minimizar a distocia em seus rebanhos, otimizando o número de terneiros produzidos e o peso a desmama dos rebanhos.

Em recentes anos, a genética Shorthorn australiana tem sido exportada para países como Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia, África do Sul e Reino Unido, com um significante aumento nas vendas. Como podemos notar, a raça Shorthorn tem uma enorme importância na pecuária australiana, seja pelo fornecimento de touros para cruzamentos, como pela capacidade da raça em manter exportações para mercados exigentes como Japão e União Europeia com sua carne de qualidade superior.

Não é à toa que os australianos chamam o Shorthorn de "A RAÇA QUE CONSTRUIU A AUSTRÁLIA"

ÁFRICA DO SUL - É sabido que climas temperados, com condições ambientais semelhantes ao berço da raça na Inglaterra e Escócia, apresentam excelentes rebanhos, porém, poucas pessoas sabem e, até custam a crer, que o Shorthorn possa agüentar e se desenvolver em países de clima quente e árido.

Exemplos desta capacidade de se adaptar e progredir em climas adversos pode ser citado. Uma raça que foi introduzida em determinado país há mais de 100 anos e ainda hoje, apresenta muitos selecionadores, mostra que esta raça é capaz de competir em ambientes áridos. Mas, nós queremos mostrar a adaptação da raça em um ambiente mais adverso ainda, o Continente Africano.

A África é conhecida por ser um continente misterioso, repleto de feras selvagens, extensas savanas, com estações secas e chuvosas bem definidas, onde em certos anos não cai uma gota de chuva por vários meses. O calor é abrasivo e os parasitas não perdoam aos seres mais fracos. Vários países africanos possuem a genética Shorthorn, entre eles a Namíbia, o Quênia, o Zimbábue e a África do Sul.

O Shorthorn chegou à África do Sul em 1836, quando Sir Charles Somerset era governador da Província do Cabo. O primeiro touro registrado a ser importado foi "Pantomime", em 1861. Várias importações seguintes foram feitas. A raça espalhou-se rapidamente por todo o país e na virada do século XX, estava estabelecida firmemente por todo o sul da África. A "Shorthorn Society of South Africa", foi formada em 1912 e, hoje, existem 41 criadores por todo o país.

O Shorthorn é conhecido naquele país pela sua alta fertilidade, facilidade de parto, habilidades materna e leiteira, maturidade sexual precoce, excelente temperamento, boa pigmentação e carne de alta qualidade, com sabor e maciez reconhecidos até pelos maiores "experts" no assunto. Devido a estas características, o Shorthorn tornou-se renomado por suas habilidades no uso em cruzamentos. Quando cruzado com as raças locais, a progênie resultante tinha cobertura de carne muito desejada, grande capacidade de engorde rápido e a habilidade de progredir sobre condições ambientais severas.

No país existe o Shorthorn Leiteiro, bem como o Shorthorn selecionado para carne e os dois tipos são considerados separadamente. Com respeito ao gado selecionado para corte, três áreas principais de melhoramento tem recebido atenção nos últimos 25 anos.

A primeira diz respeito ao período de intervalo entre partos, que foi reduzido de 454 dias no ano de 1981, para 404 dias no ano de 1993, enquanto que a eficiência das vacas foi melhorada de 160 kg para 200 kg no mesmo período. Devido à sua excelente habilidade materna, o peso ao desmame, corrigido para os 205 dias, foi melhorado de 181 kg no ano de 1970, para 202 kg em 1993. A eficiência demonstrada pela raça neste período posiciona o Shorthorn na segunda colocação entre 22 raças listadas nesta característica. A terceira e última característica que recebeu especial atenção na seleção dos Sul Africanos, diz respeito à taxa de crescimento e à conversão alimentar, as quais são características economicamente importantes. A raça teve um aumento na média do ganho de peso diário, de 1,15 kg em 1970, para 1.47 kg em 1990, bem como teve uma maximização de sua taxa de conversão alimentar.

O Shorthorn Leiteiro ou duplo propósito produz uma boa média leiteira de 4.000 kg, sendo os machos engordados para abate. Em anos recentes, uma ênfase maior tem sido dada à produção leiteira. Hoje, novilhas de primeira cria dão em média 4.800 kg, enquanto que as vacas adultas fornecem 8.000 kg de leite em 300 dias de lactação. Os animais ainda apresentam boa cobertura de carne na carcaça e produzem carne de boa qualidade. Muitos rebanhos participam do "National Milk Performance Testing Scheme", uma prova de controle leiteiro, com uma média de 3.500 kg de leite com 3,52% de gordura e 3,18% de proteína. Sem dúvida, uma boa produção, visto que a média das outras raças (Jersey, Pardo Suíço, Guernsey, Ayrshire e Holandês) no ano de 1996 foi de 6.654 kg de leite, com 3,74% de gordura e 3,23% de proteína.

A Associação Sul Africana de Shorthorn faz parte do "World Shorthorn Council", a qual tem sede na Grã Bretanha e serve de elo entre 14 associações de raça ao redor do mundo. Os números de animais registrados no país desde a abertura do Herd Book para a raça são os seguintes; 1.385 Beef Shorthorn, com 14 criadores e, 1.237 Dairy Shorthorns, com 17 criadores.

ESTADOS UNIDOS - A introdução da raça é datada de 1783, para a Virgínia. Após, em 1791, outros animais foram importados em sua maioria eram do tipo leiteiro e duplo propósito. Os primeiros animais registrados a entrarem nos Estados Unidos, datam de 1812, importados por Mr. Cox, o qual trouxe um touro e duas fêmeas. Durante os anos de 1820 e 1850, muitos Shorthorns forma importados, em especial para a região que compreende os estados de Kentucly e Ohio.

Nesta época, o Shorthorn era uma das raças mais populares dos Estados Unidos, fornecendo leite e carne aos colonizadores e, depois servindo para cruzar com o gado Longhorn introduzido pelos conquistadores espanhóis.

Hoje em dia a raça tem grande fama e está em franca expansão através de programas H4 (incentivo aos jovens para aprender lições ligadas à vida rural), Club Calf (programa de cruzamento industrial) e Durham Red (programa de acasalemento de Shorthorn com Aberdeen Angus). Os números de registros crescem a cada ano e, a participação em exposições recebe cada vez mais animais a serem expostos




Copyright: Dave McElhaney - Mid Atlantic Genetics Productions - Pennsylvania - USA

Os primeiros animais foram introduzidos no estado da Virginia em 1783, a raça foi associada ao nome "Durham". Foi a primeira raça melhorada a ser importada para a América, e as qualidades que os animais possuíam fizeram com que tivessem grande demanda e sua influência espalhou-se rapidamente por toda a América do Norte.

A American Shorthorn Associations foi fundada em 1872, esta associação tem como seu fundador o Sr. Lewis F. Allen, sendo ele o compilador do primeiro Herd Book americano, no ano de 1846. A Polled Shorthorn Society foi fundada em 1889 como parte do registro de animais aspados.

A American Shorthorn Association tem o seu registro elaborado de forma que, conforme aumenta o grau de sangue de um animal, este vai subindo de categoria até chegar a um grau de sangue altamente puro (Purebred). Porém, existe uma distinção dentro dos registros através de prefixos atachados ao número de inscrição, por exemplo: MA = indica que é um animal Maine Anjou; AR = indica que é um animal registrado no Livro de Apêndice que tenha menos de 15/16% de sangue Shorthorn; (*) = indica que são animais com ancestrais no Livro de Apêndice (mais de 31/32 de sangue Shorthorn); e a letra X indica que são animais mochos. O touro Byland Turbo é registrado sob o número *x3934163, portanto é mocho com ancestral no Livro de Apêndice, através da linha paterna e materna que tem o touro Ayatollah (AR 2336) o qual possui 32,5% de sangue Illawarra e 7,5% de sangue Holandês.

Recentemente a American Shorthorn Association retirou a obrigatoriedade do afixo (*) dos registros, deixando ao interesse do criador colocar ou não o símbolo.



Copyright: Dave McElhaney - Mid Atlantic Genetics Productions - Pennsylvania - USA

Resumindo, o Livro de Apêndice é um livro aberto para absorção de outras raças, em especial Maine Anjou e Illawarra entre outras raças, levando até a sua 4ª geração o prefixo AR. Após a 5ª geração conserva apenas o asterisco (*) anterior ao número de registro, podendo ser cruzado com animais PO de linhagem fechada, apenas com sua progênie recebendo este asterisco.

A variedade mocha do Shorthorn surgiu inicialmente nos Estados Unidos, por volta de 1919. O registro dos animais Polled se divide em dois standards; O "single standard", o qual registra animais oriundos do cruzamento de Shorthorns aspados com animais Mulley mochos, são denominados animais Mulleys, aqueles que são originalmente mochos, acredita-se que sejam descendentes de Galloway ou Suffolk Polled (origem do Red Poll), estes animais entram no registro com um mínimo de 96% de sangue Shorthorn e tenha as características da raça.

O "double standard", teve sua origem em 1888, quando um criador, Mr. W.S. Miller, de Elmore, Ohio, comprou alguns animais em Minnesotta, os quais vários eram naturalmente mochos. Todos os animais eram descendentes diretos de uma vaca chamada Oakwood Gwynne 4th., a qual estava registrada no Volume 15 do Herd Book Americano. Muitos criadores da época especulavam que a vaca era fruto de mutação, mas acreditamos ser o animal fruto de atavismo, visto que sangue Galloway foi introduzido na raça em sua origem na Inglaterra.

Vários estudos feitos pelo Clay Center mostram a raça Shorthorn como uma ótima opção de cruzamentos nos Estados Unidos. Realmente, os números da raça vêm crescendo ano após ano, tanto em cruzamentos como em animais puros. Atualmente, a genética americana é amplamente usada no Brasil, pela importação de sêmen.

CANADÁ - A primeira importação de animais Shorthorn para o canada, ocorreu em 1825, com a importação de quatro touros. Por volta de 1831, o Juiz Robert Arnold, de St. Catherines, Ontário, importou uma vaca de nome Countess e seu terneiro, chamado Leopold. A primeira importação significativa ocorreu em 1833, quando seis terneiras e dois touros foram trazidos da Bretanha, França. Estes animais formaram a base do Shorthorn canadense, que iniciou em Ontário.


Copyright: Rolly Bateman - Canada

Copyright: Rolly Bateman - Canada

O Herd Book canadense foi publicado em 1867, e uma associação de criadores foi fundada em 1886. Hoje, a raça é registrada pela Canadian Livestock Cattle Records, a qual registra várias raças de bovinos, ovinos, porcinos, eqüinos, alpacas, lhamas, entre outras espécies.

No Canadá, o Beef Shorthorn (carne) e o Duplo Propósito são reconhecidos separadamente, embora sejam registrados no mesmo Herd Book. Animais oriundos do cruzamento de vaca Duplo propósito acasalada com touro Beef, e vice versa, é registrado na secção Beef. Em 1977, A Canadian Shorthorn Association unificou-se com a Canadian Lincoln Red Ass., os criadores podem continuar com suas linhagens em separado, mas, também, podem cruzar seus rebanhos se assim desejarem.


Copyright: Canadian Shorthorn Association

Copyright: Rolly Bateman - Canada

O Shorthorn canadense apresenta hoje, grande qualidade, e recentemente a introdução de genética oriunda deste país se acentuou com a inseminação artificial.

IRLANDA - Acredita-se que os primeiros Shorthorns que chegaram à Irlanda foram graças ao trabalho de Sir Henry Vane Tempest de Wynyard, Durham, a raça ainda era conhecida como Teeswater e, foi mandada para as suas fazendas no norte da Irlanda, isto ocorreu por volta de 1812.

Em 1829, por ocasião da dispersão do rebanho de Christopher Mason, Chilton, Durham, os criadores irlandeses compraram 13 fêmeas e 4 touros, estes animais tinham influência Booth e Collings. Como na época os touros Booth não eram vendidos, estes eram especialmente desejados, pela sua seleção com ênfase leiteira. Alguns animais do tipo "scotch", também, eram importados oriundos da fronteira com a Escócia.

Embora, fosse demasiado pesado, o Shorthorn foi a raça dominante na Irlanda por muitos anos até o 1946. Por volta de 1960, o número de animais decresceu muito, especialmente pelo cruzamento absorvente com o gado Frísio especializado na produção leiteira e, em 1970 a maioria dos rebanhos Shorthorn haviam sido cruzados. No período seguinte à 2ª Guerra Mundial, muitos dos rebanhos puros foram vendidos, e os principais criadores se tornaram pequenos proprietários, os quais deixaram de fazer o Registro genealógico de seus animais, mas mantinham a pureza racial destes.

Em 1º de setembro de 1970, a Shorthorn Society of Great Britain and Ireland, introduziram o "Shorthorn Cattle Improvement Scheme", para encorajar a melhora do tamanho e conformação do gado Irlandês. Os criadores eram encorajados a oferecer seus animais para inspeção técnica e, a progênie das vacas e novilhas passavam por uma inspeção ao completarem um ano de idade, as fêmeas eleitas eram retidas e os criadores recebiam um prêmio em dinheiro, estes animais eram acasalados aos três anos de idade com um touro aprovado.

Em 1980, 18.716 vacas haviam sido inspecionadas e apenas 1.939 aceitas, enquanto que 20 touros foram aprovados para serem usados em inseminação artificial e 25 em monta natural. A Shorthorn Society aceitou a inscrição dos animais aceitos no Coate's Herd Book, caso não houvessem sido registrados até então.

O rebanho irlandês mais famoso, hoje, é o Deerpark, de propriedade da família Quane. O rebanho foi estabelecido por volta de 1890, usando animais que descendiam diretamente dos Irmãos Colling e Sittyton de Amos Cruickshank. Por ocasião da inspeção de 1970, quase todo o rebanho da família Quane foi aceita, pois embora, não registrassem mais, eles mantiveram seus animais puros. O rebanho Deerpark, tem forte seleção leiteira e muitos de seus touros fizeram história nos Estados Unidos e Canadá.

 

ZIMBÁBUE - Antigamente chamado de Rhodésia, o Zimbábue se tornou um país independente em 1980. Os criadores de Shorthorn eram antes membros da Shorthorn Society of South Africa, registrando seus animais no Herd Book daquele país. Hoje, eles fazem parte do Zimbábue Herd Book, o qual registra todas as raças de bovinos do país.

A raça está introduzida no país desde 1890, existe uma lenda de que a Rainha Vitória, remeteu ao Chefe Matabele dois touros Shorthorn brancos de presente em 1890. Atualmente, existem várias linhagens de Shorthorn no país, todos registrados em um mesmo Herd Book, sem diferenciação. Existem Weebollabollas Shorthorns da Australia, também animais oriundos de sêmen americanos com grande frame, descendentes de Ayatollah (*), Armageddon Trudeau, Great White Hope, Clark entre outros. Sêmen de animais australianos como, Mandalong Elephant e Weebollabolla Royal Comission foi usado. Em anos recentes ocorreu infusão de Maine Anjou. No ano de 1992, existiam apenas 4 criadores mantendo o registro genealógico.

A raça Shorthorn ainda se faz presente em muitos outros países, como Japão, Nova Zelândia, Noruega, Alemanha, entre outros mais.

Fontes:
AMERICAN SHORTHORN ASSOCIATION. Membership Information Guide. pp. 3-12.
BRIGGS, H.M. 1949. Modern Breeds of Livestock. pp. 17-73.
FELIUS, M. Genus Bos. Cattle Breeds of the World. Rahway, NJ : MSD-AGVET Division of Merck and Co. 235 pp., 1985
FISHER, O.L. 1993. Shorthorns Around the World. pp. 7-25; 81-84
FRENCH, M. H. Razas Europeas de Ganado Bovino. Vol. I & II, FAO, Rome, 1968.
420 pp.
LAURNAGA, H. 1994. Origen de la Raza Shorthorn la Mas Antigua de las Razas Vacunas. Shorthorn 50 Años. pp. 11-13.
MASON, I. L. A World dictionary of Livestock Breeds, Types and Varieties. 3ª ed. CAB International, Scotland, 1988. 348 pp.
PORTER, V. Cattle : A Handbook to the Breeds of the World. A & C Black, London, 1991. 400 pp.
SINCLAIR, J. 1911. Historia del Ganado Shorthorn. pp. 1-55.
TOCAGNI, H. 1980.
Bovinos Shorthorn. pp. 29-36.
South African Livestock Breeding 1998

 

Página inicial