O que visamos ao selecionar nossos animais

Embora a Cabanha Santa Isabel seja nova na seleção de animais pedigree, estamos fundados em ideias centenárias que foram usadas no decorrer dos séculos para melhorar o Shorthorn e outras raças.

Não escondemos de ninguém as nossas diretrizes de seleção e, certamente muitos acharão que determinado ponto de vista está errado, porém não queremos ser mais um a selecionar animais, queremos ser nós mesmos!!

O primeiro ponto de que discordamos é; NÃO SEGUIR MODISMOS. As modas vão e vem, anteontem eram os animais retacos e anões, ontem eram os gigantes, hoje são os de frame mediano e, que na verdade são os tipos originais selecionados no início do século XX. Mas, nesse sobe-desce, encolhe-estica, muita genética é perdida. E, infelizmente, depois de perdida, não há como retornar.

O Shorthorn sempre foi uma raça de modas, seja por tipos raciais, pelagens ou agora, por genes de raças estranhas que, segundo alguns, irão melhorar a raça. Mas, melhorar quem, o "Grande Melhorador"?

Acreditamos que nosso melhoramento pode ser feito dentro de nossa raça.

Para isto, pensamos em delinear algumas metas para nosso rebanho;

- Voltar ao tipo original da raça. Animal mediano com estrutura forte.
- Animais compridos, largos de garupa e lombo.
- Quartos traseiros bem providos de carne, com músculos que cheguem até o garrão. Vistos de trás, o posterior deve ter aspecto quadrado.
- Cabeça típica da raça em sua origem, com perfil curto e chanfro largo.
- Selecionar para comprimento de carcaça, evitando animais costeludos.
- Sempre manter a união carne e leite no rebanho.
- Selecionar fêmeas para habilidade materna, precocidade sexual, baixo peso ao nascer, facilidade de parto e baixa necessidade de mantença.
- Selecionar machos para ganho de peso (evitar excesso nesta característica), precocidade sexual e de abate, carcaça com cobertura de carne.
- Selecionar animais por temperamento, preferir animais calmos que possam ser manejados á pé. Vacas com bom instinto materno, que pastem longe das crias, mas que sempre estejam atentas a estas e que as socorram quando necessário.
- Usar inbreeding, através de linebreeding.

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Além destas diretrizes bases que usamos, fundamos nosso pensamento em três ferramentas básicas;

- PEDIGREE - Para nós o pedigree de um animal tem valor importante, pois além de certificar a pureza racial que desejamos, através do pedigree temos uma idéia do que podemos esperar de um touro ou vaca, pois segundo Mendel, um indivíduo recebe metade da carga genética de cada pai, portanto se os pais forem bons, a probabilidade de sua progênie o ser é grande.

- PERFORMANCE - Os dados de performance são importantes para atestar o pedigree de um animal, temos consciência de que nem sempre animais com bons pedigrees apresentam ótima performance, e vice versa. Mas, também, não fechamos os olhos para o resto ao olhamos apenas os dados de performance, ex. DEP's, pois vemos animais com excelentes DEP's a custa de vigor híbrido ganho através de cruzamentos com outras raças.

- FENÓTIPO - Selecionar os animais olhando seu fenótipo. Isto é muito importante, pois ao vermos um determinado animal, estaremos vendo seus futuros produtos. De nada nos serve ter um determinado animal com excelentes dados de performance e filho do touro fulano muito usado em determinado país, se fenotipicamente ele é pobre e, qualquer boi tem aparência melhor.

Acreditamos que usando todas estas diretrizes, como ferramenta de seleção, sem esquecer o mercado, e tendo flexibilidade com suas necessidades atuais, pois as exigências de mercado mudam continuamente e, o que era ruim ontem, pode ser ótimo amanhã, caminharemos para o sucesso genético e financeiro de nosso estabelecimento.

O Shorthorn e o Lincoln Red são grandes raças, esquecidas por modismos, mas nunca deixaram de ser grandes raças. Isto se prova pelo uso de seus genes no aprimoramento de tantas raças e tipos raciais ainda hoje.

A formação de uma raça demora dezenas de anos, mas a sua destruição ocorre em meia dúzia deles. A Cabanha Santa Isabel está firmando seu desejo de manter a raça Shorthorn limpa desta erosão genética que vem ocorrendo, além de manter a variabilidade e a preservação destas duas raças.

A extinção é para sempre, o que foi perdido não tem retorno e, não há dinheiro que pague uma perda.

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Fotos;
Arquivo particular Cabanha Santa Isabel

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